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A Resposta, Kathryn Stockett

“Não perca tempo com as coisas óbvias. Escreva sobre aquilo que a incomoda, sobretudo se isso não incomoda a mais ninguém.”

 

Sinopse: ‘A Resposta’ traz uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA. Eugenia ‘Skeeter’ Phelan, jovem que acabou de se graduar e quer virar escritora, encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, ‘Skeeter’ encontra um tema em duas mulheres negras – Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que não arruma emprego porque não leva desaforo dos patrões para casa.

Fonte: https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/literatura-internacional/a-resposta-22347266

 

A Resposta talvez seja mais conhecido pelo filme baseado no livro, Histórias Cruzadas de 2011 do que pelo livro, eu mesma assisti ao filme muito antes de sequer saber que existia um livro.

O livro se passa na Mississippi dos anos 60 e nós acompanhamos o dia a dia de algumas empregadas negras e suas relações com as patroas brancas. O Mississsippi não só faz parte do Cinturão Bíblico, como também é conhecido como um dos estados mais racistas dos Estados Unidos. Isso hoje em dia, então, imaginem como era nos anos 60.

Para nos contar essa história, a autora se utiliza de três personagens, todas escritas em primeira pessoa: Eugenia Phelan, conhecida como Skeeter, uma jovem branca recém formada, que sonha em ser escritora e que decide escrever sobre a situação das empregadas negras, Aibeleen, a primeira empregada que aceita contar sua história a Skeeter e Minny, outra empregada que tem fama de encrenqueira e por isso não consegue manter nenhum emprego por muito tempo.

A história se passa muito tempo depois da abolição da escravidão nos Estados Unidos, mas o reflexo disso é muito presente no livro, como é até hoje. Embora as empregadas retratadas no livro recebam salários, o tratamento que elas recebem está muito perto do tratamento que os escravos recebiam. Durante a leitura entramos em contato com história absurdas de preconceito e mau trato e também histórias emocionantes.

Uma das coisas que me chamou muita atenção no livro é a forma como a autora escreve, além dele ter uma leitura super rápida, eu fiquei impressionada em como a autora mudava o seu jeito de escrever, as palavras e as gírias de acordo com o ponto de vista pelo qual ela está narrando a história, tornando cada personagem muito realista.

Também gostei do livro ser escrito apenas do ponto de vista de personagens femininas, e mesmo as personagens secundarias são em sua maioria, mulheres. Os homens aparecem só no papel de maridos ou pais, mas não lemos nenhuma história do ponto de vista deles, o que faz sentido, já que essa é uma história que fala sobre mulheres.

As histórias narradas pelas empregadas são todas interessantíssimas, algumas são tristes, algumas mostram relações amigáveis entre as empregadas e as patroas e algumas são até divertidas, mas as histórias que mais me chamaram a atenção foram as histórias de Abileen sobre todas as crianças brancas de quem ela cuidou ao longo da vida, fica muito claro que ela amou cada uma das crianças e que sofreu com a separação.

Apesar de tratar de um tema muito sério e algumas vezes pesado, o livro é divertido, tem momentos que me fizeram rir muito e algumas histórias contadas pelas empregadas são engraçadas, eu achei a personagem da Minny especialmente engraçada.

Em contra partida, o final do livro me fez chorar, literalmente.

Embora o livro não seja baseado em uma história real, com certeza, muito do que está lá foi inspirado por acontecimentos reais, no final do livro, a autora, nascida e criada no Mississipi, fala sobre a empregada que trabalhava para a família dela e que a criou. Com certeza, ela ouviu muitas das histórias que aparecem no livro, ou pelo menos, histórias parecidas.

A única coisa que eu não gostei do livro foi o romance que surge entre Skeeter e Stuart, o filho de um senador local, que pareceu, a princípio só uma tentativa de colocar um romance na vida de Skeeter(que é considerada a “solteirona” da cidade), que é uma personagem interessante por si própria e com seus próprios conflitos, mas ao longo do livro, percebi que a autora desenvolveu bem a história dos dois.

Tocando e criticando temas que ainda precisam ser discutidos, repletos de personagens femininas interessantes e fortes e com histórias emocionantes, a Resposta é um ótimo livro que não deixa o leitor larga-lo nem por um minuto.

 

 

 

Capa comum: 574 páginas

Editora: Bertrand; Edição: 6 (2012)

Idioma: Português

Dimensões do produto: 22,8 x 15,2 x 3,4 cm

Peso de envio: 862 g

Fonte: https://www.amazon.com.br/Resposta-Kathryn-Stockett/dp/8528614611

Crédito da imagem: http://lelivros.bid/book/download-a-resposta-kathryn-stockett-em-epub-mobi-e-pdf/

 

6 comentários em “A Resposta, Kathryn Stockett”

  1. Assim que terminei de assistir o filme, fiquei com vontade de ler o livro e conferir se a adaptação foi fiel. No filme todas as histórias são interligadas e fascinantes, apesar de mesmo com algumas romantizações, sempre levantar a importância dos direitos de civis. Sua (ótima) resenha me faz lembrar que ainda preciso ler “A Resposta”

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