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Frankenstein, ou o Prometeu Moderno, Mary Shelley

Sinopse: Proveniente de uma família suíça abastada, o jovem Viktor Frankenstein tem a oportunidade de estudar e se tornar um respeitado médico. Obcecado pela morte, ele desenvolve um método para dar vida a um corpo criado com partes de diferentes cadáveres. Mas seu sucesso representará também sua ruína. Ao ver o aspecto monstruoso de sua criação, o dr. Frankenstein não suporta a responsabilidade de tamanho feito e foge.
Abandonado, o monstro tenta se aproximar dos humanos em vão: sua face horripilante apavora todos os que o veem. Condenado à solidão extrema, sai em busca do seu criador, o que desencadeia um jogo de vingança e reparação, que deixará um rastro de ódio e morte.
Confrontando um cientista cuja ambição não tem limites e um ser que luta desesperadamente para encontrar seu lugar no mundo, Frankenstein é muito mais que uma história de terror. A obra-prima de Mary Shelley questiona nossas paixões e nosso controle sobre elas, constituindo uma história eletrizante que é também uma reflexão profunda sobre a condição humana.

Fonte: https://www.saraiva.com.br/frankenstein-2-ed-2014-8325830.html

 

Frankenstein ou o Prometeu Moderno foi publicado a exato 200 anos e é hoje em dia, mais reconhecido do que na época da sua publicação, tendo sido adaptado para o cinema, televisão e até ganhando releituras, Frankenstein é um dos maiores clássicos do terror.

A história da criação do Frankenstein (o livro) é quase tão curiosa quanto a história da criação do Monstro. Mary Shelley, tinha apenas 19 anos quando concebeu e escreveu a história e a inspiração veio quando ela, seu futuro marido, Percy Shelley e os também escritores, Lord Byron e John Polidori foram passar alguns dias a beira do Lago Léman. Lord Byron propôs que cada um deles escrevesse uma história de fantasma para que pudesse contar aos outros mais tarde. Shelley, depois de dias pensando em uma história, teve a idéia da história que mais tarde se tornaria Frankenstein, também é desse encontro o cerne da história que mais tarde se tornaria O Vampiro, de John Polidori, a primeira história ocidental que usa elementos do vampiro que conhecemos hoje, e que posteriormente inspiraria Bram Stoker na criação de Drácula.

Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante de medicina que deseja mais que tudo ser capaz de criar uma vida, depois de alguma pesquisa, Victor junta pedaços de corpos de pessoas mortas e cria uma maquina movida a eletricidade, e então, em uma noite chuvosa, finalmente executa seu plano e dá vida a uma criatura. O único problema é que logo depois disso, Victor se sente extremamente enojado e manda a criatura embora, sem lhe explicar da onde ela veio ou se quer, aonde ela está.

O Monstro (Como Victor passa a chama-lo) foge e vai viver escondido depois de perceber a reação das pessoas quando o vêem. Ele volta depois de um tempo, exigindo explicações de Victor e dizendo que sairá da vida dele para sempre se Victor criar uma companheira para ele.

Primeiro de tudo é importante ressaltar que embora boa parte da cultura popular chame  a Criatura de Frankenstein, Frankenstein na verdade é o nome de Victor, o criador. A criatura não tem um nome definido no livro.

Frankenstein é um livro de terror com pitadas de sobrenatural e que a olhos nus parece tão absurdo quanto muitos livros de terror, mas na verdade, Frankenstein é um livro bem realista e ele fala sobre o egoísmo e a prepotência humana.

A humanidade cada vez evolui mais em relação a tecnologias não só de sobre vida, como também de clonagem e muito se questiona se cabe ao homem o papel de dar a vida a alguém, Frankenstein fez esse questionamento, que continua retumbando na mente humana até hoje, a 200 anos atrás e não podemos prever se um dia isso de fato, não vai acontecer, se não a partir de restos de cadáveres, pelo menos a partir de células.

Victor, o protagonista do livro, é um rapaz inteligente e que vem de uma família bem de vida e estruturada, e tem até uma namorada, Elizabeth, na sua cidade natal, mesmo assim, a vida não é suficiente para ele, ele precisa mais que isso. Victor também tem um complexo de Deus enorme e não questiona em momento algum se o ser humano é composto só de seu corpo, algo que ele poderia facilmente recriar em laboratório ou se tem algo mais, como uma alma ou uma personalidade, algo que ele jamais poderia dar a nenhuma criatura. E pior que isso, depois que ele consegue o que deseja, Victor simplesmente abandona a sua criança no mundo, sem lhe dar qualquer explicação ou carinho, fazendo com que a criatura passe os próximos anos se perguntando se ele é tão revoltante a ponto de seu próprio pai sentir nojo dele.

Quando começamos a ler o livro, achamos que Victor é o herói da história e que a criatura é o vilão, que veio para atormentar a vida de Victor, mas na metade do livro, percebemos que é exatamente o contrario. Victor que fez um mal terrível para a criatura, dando vida a ela e depois a rejeitando é o vilão dessa história, enquanto, a criatura, que por sua vez teve que não só aprender a se virar sozinha, mas também entender como ele foi jogado nesse mundo e porque as pessoas, entre elas seu próprio criador, sentem medo ou nojo dele, é quase o herói, que levado ao extremo comete atos cruéis. Talvez por isso, exista essa confusão tão grande em relação ao nome Frankenstein.

O livro é narrado de forma epistolar, costume bem comum na literatura de terror da época, e nós lemos os livros através das cartas do Capitão Robert Walton, que encontra tanto Frankenstein, a criatura, quanto Frankenstein, o criador, enquanto o seu navio está preso no gelo e ouve a história da boca do próprio Victor. O livro não dá muita brecha para a possível bondade da criatura, isso foi mostrado nos filmes posteriores (especialmente no de Kenneth Branagh, protagonizada pelo próprio Branagh e por Robert Deniro), mas nem por isso deixa de retratar Victor como o vilão que ele realmente é.

Frankenstein trás referencias bem claras a religião quanto questiona se o poder de criação da vida e eventualmente da morte (ou da falta dela) deveriam estar na mão de um homem, a obra também fala da dominação da natureza pelo homem, ou posteriormente pela tecnologia, e embora o criador e a criatura fiquem face a face em poucos momentos, essa relação permeia todo o livro, que questiona qual a responsabilidade de Victor para com aquele a quem ele deu vida e o que a criatura poderia ter se tornado se ao invés de rejeita-lo, Victor o tivesse educado. De maneira bem simples, o livro fala também de preconceito e de como a aparência muitas vezes se sobressaí ao caráter, já que a criatura é julgada e agredida inúmeras vezes, mesmo que suas intenções sejam boas, só porque sua aparência não é agradável e como isso, pouco a pouco, transforma a criatura no que Victor julgou que ele era desde o começo: um monstro.

Mas o questionamento mais importante da obra é quem, na verdade é o monstro, a criatura, que tem uma aparência feia ou Victor, um jovem inteligente, que passa por cima das maiores leis, sejam éticas ou divinas, para ter o que ele quer.

Créditos da imagem: https://www.skoob.com.br/frankenstein-1161ed665626.html

 

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