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O Colecionador, John Fowles (Nova Edição, pela DarkSide Books)

“Na minha opinião, muitas pessoas que poderão parecer felizes agora, teriam feito o mesmo que eu fiz, ou coisas semelhantes, se lhes fossem dados o tempo e o dinheiro para fazerem. Quero dizer, fazerem as coisas que desejam, embora sabendo que não as deviam fazer. Um antigo professor meu dizia sempre que o poder corrompe. E o dinheiro é poder”

Sinopse: “O Colecionador” é o primeiro livro de John Fowles, escrito em 1963. O romance narra a história de Frederick Clegg, um funcionário público que coleciona borboletas e, subitamente, se torna dono de uma fortuna. Ele então passa a ter uma ambição: seqüestrar a bela Miranda, seu amor platônico. A trama se desenvolve com a disformidade da personalidade de Clegg, que tem a seu favor apenas a superioridade de força, contra a vitalidade e inteligência de Miranda que, contando com sua superioridade de caráter, confunde e ofusca o medíocre seqüestrador.

Fonte: https://www.skoob.com.br/o-colecionador-1582ed2126.html

 

O colecionador é o primeiro livro de John Fowles (que depois escreveria a Mulher do Tenente Francês) e narra a história de um homem que esta tão obcecado por uma jovem que resolve seqüestra-la.

O livro é divido em quatro partes, na primeira parte acompanhamos Frederick, que acabou de ganhar uma fortuna, tramar o seqüestro de Miranda, uma moça que mora ao lado do local de trabalho dele, por quem ele esta perdidamente “apaixonado”. Frederick é um órfão solitário que foi criado por uma tia e que coleciona borboletas.

A primeira coisa que me chamou atenção nesse livro é que ele é escrito em primeira pessoa, então, nós estamos literalmente na cabeça de Frederick. Embora, você saiba que Frederick é louco, existe um segmento lógico no pensamento dele e é ótimo ler um livro que coloca o leitor no lugar de uma pessoa completamente diferente dele. Frederick afirma desde o primeiro momento que ele não é insano, ele inclusive descreve Miranda como “sua convidada” e não sua prisioneira, mas cada minuto de leitura deixa claro que Frederick é na verdade, um psicopata.

Depois que Frederick consegue realizar seu plano, nós conhecemos Miranda, que a principio aparecia só como uma garota bonita, que o protagonista observava.

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Enquanto, ainda nos dias de hoje se fala sobre a falta de personagens femininas interessantes, eu fiquei muito surpresa de me deparar com uma personagem feminina tão interessante escrita nos anos 60.

Miranda é muito mais do que uma garota bonita, ela é também claramente mais inteligente que Frederick e a partir do momento que ela é colocada em cativeiro, nós vemos uma luta entre a força física de Frederick e a força intelectual de Miranda.

É assustador perceber que mesmo com toda a sua educação e inteligência, Miranda está nas mãos de Frederick, um homem intelectualmente inferior a ela.

Nesse ponto, eu já estava muito interessada e já não conseguia parar de ler, então, tive mais uma surpresa, a segunda parte do livro é contada do ponto de vista de Miranda, através de um diário que ela está escrevendo durante o cativeiro.

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A contracapa da nova edição.

Na parte de Miranda, acompanhamos então, todas as estratégias que ela usa para tentar sair do confinamento e também conhecemos um pouco sobre a sua vida antes de tudo isso acontecer.

A idéia de narrar a história do ponto de vista de dois personagens diferentes não só mostra a incrível habilidade de Fowles, que consegue escrever de maneira tão convincente do ponto de vista de Frederick, um homem obviamente doente e muito mais ignorante que sua presa, quanto do ponto de vista de Miranda, uma jovem, com uma criação um tanto elitista enraizada, e tão mais culta que Frederick que em muitas momentos ela faz referências artísticas que ele é incapaz de entender, mas também dá ao leitor a oportunidade de se colocar na pele tanto do seqüestrador, quanto da vitima.

O livro é muito bem escrito e a leitura flui de maneira muito fácil. O que também te prende a leitura são os personagens que são interessantíssimos, tanto Frederick, por quem eu sentia só desprezo, quanto Miranda, por quem eu estava torcendo.

O Colecionador também fala sobre síndrome de Estocolmo, muito antes desse termo sequer ter sido cunhado (O termo faz referência ao Assalto de Norrmalmstorg, que aconteceu em 73), já que em determinado momento do livro, a própria Miranda parece perceber que embora ela odeie Frederick, ela consegue compreendê-lo e entender algumas das suas atitudes.

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Introdução de Stephen King

Muitas das situações que aparecem no livro podem parecer clichês ou repetitivas, mas é porque já vimos muitos livros e até casos reais (é só procurar os casos de  Natascha Kampusch e Jaycee Dugard e mais recentemente Amanda Berry) sobre esse assunto, mas eu acredito que esse deve ser um dos primeiros livros a tratar do assunto.

Eu gostei particularmente da escolha do autor em fazer Frederick um colecionador de borboletas, o que demonstra que ele gosta de coisas belas e as quer a qualquer custo, mesmo que ele tenha que mantê-las presas, da mesma maneira que ele faz com Miranda. Em um momento do livro, a própria Miranda se compara as borboletas que Frederick coleciona, dizendo que ele a quer viva, porque é assim que ela é bela, porém também a quer morta, porque só assim, ela estaria com ele para sempre.

O livro não é muito comprido, mas o tema do qual ele trata é muito pesado e muito real, a história te deixa bem impactado bastante tempo depois que a leitura foi concluída.

O Colecionador não era publicado no Brasil desde 1991, mas esse ano a DarkSide Books reeditou o livro em uma edição especial. Quando eu li o livro pela primeira vez, eu imediatamente pensei que a melhor editora para republicar esse livro (porque ele sem dúvida, merecia ser republicado) era a DarkSide.

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Como todos os trabalhos da editora, essa nova edição está maravilhosa, é em capa dura e a ilustração da capa remete a edição antiga e clássica do livro, o corte das paginas é em preto, a contracapa tem borboletas desenhadas e antes de cada parte do livro, também nós deparamos com mais borboletas, tudo fazendo referência a coleção de Frederick.

Além disso, a edição da DarkSide Books tem um material especial inédito: uma introdução exclusiva de Stephen King, aonde ele analisa e nos conta a história do livro do seu ponto de vista, e um posfácio que explica todas as referências musicais, literárias e artísticas citadas por Miranda, dando um panorama da época em que o livro foi escrito.

Mesmo depois de mais de 50 anos de seu lançamento, O Colecionador continua sendo um livro impressionante e essa nova edição da DarkSide é mais do que bem vinda, já que dá a mais pessoas a oportunidade de ler essa obra.

 

Capa dura: 256 páginas

Editora: Darkside; Edição: 1ª (12 de abril de 2018)

Idioma: Português

ISBN-10: 8594541082

ISBN-13: 978-8594541086

Dimensões do produto: 21,4 x 14,4 x 2,8 cm

Peso de envio: 540 g

Fonte: https://www.amazon.com.br/Colecionador-John-Fowles/dp/8594541082

Imagens: Todas as fotos nesse post são de minha autoria.

 

 

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