Especial Stephen King, livros

Especial Stephen King: O Cemitério, 1983

Sinopse: Uma das histórias mais terríveis de Stephen King, O cemitério mostra como a dor e a loucura, muitas vezes, dividem a mesma estrada. Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar em uma pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade e a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios pela região, conhecem um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Mas, para além dos pequenos túmulos, há um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis Creed se diverte com as histórias fantasmagóricas do vizinho Crandall. No entanto, quando o gato de sua filha Eillen morre atropelado e, subitamente, retorna à vida, ele percebe que há coisas que nem mesmo a sua ciência pode explicar. Que mistérios esconde o cemitério dos bichos? Terá o homem o direito de interferir no mundo dos mortos? Em busca das respostas, Louis Creed é levado por uma trama sobrenatural em que o limite entre a vida e a morte é inexistente. E, quando descobre a verdade, percebe que ela é muito pior que seus mais terríveis pesadelos. Pior que a própria morte – e infinitamente mais poderosa.

Fonte: https://www.amazon.com.br/Cemit%C3%A9rio-Stephen-King/dp/8581050395

 

Louis Creed é um medico bem sucedido, casado com a bela Rachel e pai de duas crianças, Eillen e Gage. A família, então, vai morar em uma pequena cidade do Maine, bem em frente a uma rodovia. Logo que a família chega, o vizinho, Jud os leva para conhecer o cemitério de animais, localizado no bosque, aonde centenas de crianças, enterraram seus bichinhos de estimação.

Um dia, o gato de Eillen, Church desaparece misteriosamente e só encontrado alguns dias depois, atropelado. Jud, então leva Louis um pouco mais longe do que o cemitério de animais, em um cemitério indígena, aonde eles enterram Church.

Church retorna ao lar no dia seguinte, sujo e cheirando mal, a família toda comemora, até que sua dona acha que ele está agindo de maneira estranha.

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Muito mais do que estranho, Church está violento, Jud então explica que esse é o preço do cemitério indígena, que nada volta igual de lá.

O problema é que uma tragédia maior ainda está para atingir a família Creed.

King escreveu O Cemitério Maldito inspirado em uma experiência pessoal, em 1978, ele ministrou um curso na universidade do Maine, aonde ele mesmo estudou, para tal, os King alugaram uma casa em um rodovia movimentada, lá ele escutou diversas histórias de animais de estimação atropelados e ficou sabendo que as crianças tinha de fato, feito um cemitério de animais nos arredores. Inclusive, o gato de sua filha Naomi morreu atropelado e foi enterrado no cemitério de animais e mais tarde, seu filho Owen (com quem ele escreveu Belezas Adormecidas) quase foi atropelado.

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Depois que o livro estava escrito, King achou o material pesado demais, mostrou para a sua esposa e para o também escritor Peter Straub, que concordaram com ele, o que fez King desistir de publicar o livro, mas como ele precisava de um livro para cumprir um contrato editorial, ele acabou apresentando O Cemitério.

Em muitos aspectos, O Cemitério é um livro bem diferente dos livros de King, já que ele é extremamente pessimista. Sim, é verdade que todos os livros de King mostram personagens em situações adversas e difíceis, muitas vezes relacionadas com a morte, mas O Cemitério parece não dar uma brecha para o leitor.

O livro já começa com Loius atendendo na emergência um rapaz que acabou de sofrer um acidente e que está morrendo, com metade do cérebro para fora da cabeça, então, acompanhamos a morte de Church e sua volta e por assim vai. Como o próprio autor diz, O Cemitério é “uma espiral dentro da escuridão”.

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Essa idéia de que algo ruim vai acontecer, permeia o livro todo e o leitor não tem um respiro de alivio.

O tema central do livro é a morte, e mais importante ainda como lidamos- ou não lidamos- com ela, Louis é um médico, que na teoria lida com a morte todos os dias, mas certamente, é muito mais fácil acompanhar a morte de pessoas que não são queridas ou conhecidas, Rachel, a esposa de Louis, teve uma irmã que morreu de câncer quando ela era criança. Isso é mostrado para o leitor através de flashbacks que mostram Rachel ainda criança, observando sua irmã sucumbir a uma doença terrível.

Rachel lembra que a irmã gritava e que no final, ela nem se parecia com uma pessoa, e que em certos momentos, ela deseja que a irmã morresse logo, esse é um sentimento comum entre pessoas com parentes que sofrem de doenças sem cura. Mas mesmo que Rachel tenha desejado a morte da irmã, ela não conseguiu supera-la, já que até hoje, isso a assombra.

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Já a filha do casal está enfrentando a morte pela primeira vez quando Church morre e a sua reação é a reação que a maioria das crianças tem em frente a morte, ela pergunta o tempo todo quando Church vai acordar.

O fato de Louis de enterrar Church no cemitério indígena, e as decisões que ele toma depois disso, por outro lado, mostram o quanto ele está completamente não preparado para a morte, embora ele tenha contato com ela todos os dias.

O livro também levanta uma questão que está na cabeça de todos: é nosso direito decidir quem vive e quem morre? Ou quando as pessoas que amamos morrem? Qualquer um que já perdeu um ente querido consegue entender e até justificar o comportamento de Louis, mas é certo o que ele faz?

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Louis, como todo bom médico, tem complexo de Deus e se acha no direito de decidir quem deve morrer ou não, por isso ele recorre ao cemitério indígena, mas é natural que uma pessoa retirada do mundo dos mortos, não possa voltar da maneira que era e essa é a punição que toda a família Creed recebe quando Louis resolve tomar o destino nas suas próprias mãos. O terror que Louis desperta é tão medonho que justifica a frase que Jud fala para ele, antes que tudo comece: “As vezes a morte é melhor”.

O Cemitério tem também algumas analogias religiosas, a primeira é claro, a ideia que o ser humano não pode decidir sobre a vida e a morte, também é por isso que King usa nomes que remetem diretamente a bíblia como Rachel ou Church (igreja em inglês).

O livro é cheio de cenas macabras e assustadoras e é possivelmente o livro mais cru de King, não existem meias palavras em O Cemitério e é tudo de um pessimismo medonho.

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O Cemitério virou filme em 1989, com o nome de O Cemitério Maldito e o filme é tão sinistro quanto o livro, embora ele tenha envelhecido um pouco mal, ainda é capaz de assustar. Os Ramones (que também são a banda favorita de King) escreveram uma música especialmente para a trilha sonora, chamada Pet Sematery (o nome do livro em inglês).  Em 1992, o filme ganhou uma continuação que não tem nada a ver com a história original e pode facilmente ser descartada.

Porém existe um remake em produção no momento, o filme está programado para estrear em abril de 2019.

Entre os trabalhos de King, O Cemitério é certamente um dos livros mais assustadores, pois fala de uma coisa que é inerente a todos nós: a morte.

 

Capa comum: 424 páginas

Editora: Suma de Letras; Edição: 1 (1 de julho de 2013)

Idioma: Português

ISBN-10: 8581050395

ISBN-13: 978-8581050393

Dimensões do produto: 22,9 x 15,7 x 2,5 cm

Peso de envio: 640 g

Fonte: https://www.amazon.com.br/Cemit%C3%A9rio-Stephen-King/dp/8581050395

 

 

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