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Meus Lugares Escuros, James Ellroy

“Sua morte define minha vida”

Sinopse: James Ellroy, o maior escritor policial da atualidade, viveu experiências tão ou mais barra-pesada do que os personagens de seu romance. Quando menino, teve a mãe assassinada. Na adolescência, foi mendigo, viciado e foi preso várias vezes, sendo resgatado para a vida normal pela literatura. Essas experiências duras e fortes impregnam toda sua obra. Os cenários, os personagens e as tramas de livros como Los Angeles ― Cidade proibida, Tablóide americano e outros sucessos inspiram-se em sua juventude em uma Los Angeles mítica, repleta de gângsteres, corruptos, drogas, violência e mulheres de formas fartas e caráter duvidoso.No relato biográfico de Meus lugares escuros, Ellroy revisita seu passado na tentativa de exorcizar fantasmas que o atormentavam. A idéia era utilizar o dinheiro e o prestígio conseguidos com a literatura para investigar novamente o assassinato de sua mãe, em busca de respostas. Não apenas sobre a identidade do homem que a matou, mas de suas próprias origens. A jornada rumo ao passado é dolorosa, mas, endurecido pelos traumas da infância e juventude, Ellroy a suporta muito bem.Meus lugares escuros é dividido em quatro partes. Na primeira, A ruiva, Ellroy revive e relata a investigação do assassinato de sua mãe. Na segunda parte, O menino na fotografia, relembra sua vida, em um relato que começa na infância e vai até a descoberta da literatura. Aqui ele revela sem pudores que foi viciado em drogas, mendigo e que invadiu casas para roubar e cheirar calcinhas. E explica o que foi necessário para conseguir sair do fundo do poço. Depois, em Stone, Ellroy descreve o detetive contratado por ele para reabrir o caso do assassinato de Jean Ellroy. Por último, Geneva Hilliker é o relato da nova investigação do caso, seus desdobramentos e a descoberta da personalidade da mãe, por quem Ellroy confessa até mesmo um forte desejo sexual.Neste livro, Ellroy expõe-se sem medos, e permite aos leitores descobrir os lugares mais obscuros e secretos de seu universo, presente sempre em sua obra ficcional. Escrito com uma enorme crueza, Meus lugares escuros é tão brilhante quanto sua ficção. E guia os que se interessam pelas motivações de sua obra literária. Um relato comovente e extremamente duro de uma vida às vezes mais sórdida do que a dos mais vis personagens da ficção policial deste mestre moderno do gênero.

Fonte: https://www.amazon.com.br/Meus-lugares-escuros-James-Ellroy/dp/8501053015/ref=tmm_pap_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=&sr=

 

James Ellroy é um escritor conhecido no mundo todo, em função dos seus romances noir, que envolvem assassinato, traições e tramas intrincadas, como Dália Negra e Los Angesles- Cidade Proibida , mas o que pouca gente sabe é que o próprio Ellroy foi personagem de uma história de suspense.

Em 1958, quando James tinha 10 anos, sua mãe Geneva Ellroy, conhecida como Jean Ellroy foi assassinada, enquanto James passava o final de semana com o pai. Meus Lugares Escuros é o livro que Ellroy escreveu sobre o caso.

Meus Lugares Escuros é de longe o livro mais pessoal de Ellroy, nem poderia ser diferente, já que ele se propõe a investigar uma situação que não poderia ser mais traumática. O livro começa exatamente no dia em que o corpo de Jean foi descoberto, perto do playground de uma escola. Então, Ellroy nos narra, com informações que ele certamente conseguiu depois, afinal, ele era criança na época do assassinato, a busca da policia para conseguir identificar o corpo. Ellroy só recebe a noticia do assassinato quando ele chega em casa.

O leitor recebe diversas informações referentes a investigação do caso, sobre o que poderia ter acontecido na noite em que Jean foi morta e lemos a reconstituição dos fatos que a polícia faz, de acordo com pessoas que viram Jean viva na noite de sua morte. É tudo especulativo, uma vez que o assassino de Jean nunca foi encontrado, então, ninguém sabe dizer com certeza o que aconteceu.

 

Mas Meus Lugares Escuros não se resume só a esse período da vida de Ellroy, embora isso seja o mais marcante no livro, acompanhamos a vida do menino depois que a mãe morreu e como ele lidou (ou não lidou) com esse contato tão precoce e tão brutal com a morte (a mãe de Ellroy foi estrangulada com uma de suas meias, e não existe consenso se ela foi estuprada ou manteve relações sexuais consensuais antes de morrer), mais tarde acompanhamos um Ellroy já adolescente que passa a viver na rua depois da morte do seu pai quando ele tinha 17 anos, se torna alcoólatra e drogado e passa a invadir casas para roubar calcinhas e por fim, chegamos ao período de sua vida em que ele se torna escritor.

A segunda parte do livro é dedicada a investigação que Ellroy, agora já adulto e o detetive Bill Stoner fizeram em 1994. Essa nova investigação durou um ano, Ellroy e Stoner revisaram todas as informações que tinham sobre o caso, e pediram que pessoas que tivessem outras informações entrassem em contato. Eles receberam diversas ligações, mas todas acabaram dando em becos sem saídas, e Ellroy saiu da investigação do mesmo jeito que entrou: com apenas um retrato falado e uma ideia do que pode ter acontecido na noite do assassinato.

No final do livro, inclusive, tem um número e um e-mail para que caso alguém saiba alguma coisa sobre o caso, possa entrar em contato com Ellroy e eu dei uma pesquisada e vi que o caso de Jean não foi resolvido até hoje.

Já na terceira parte, Ellroy tenta por fim, descobrir quem era sua mãe em vida, ele conta todo o percurso pelo qual Jean passou, desde o nascimento dos pais dela, passando pela infância e adolescência da mãe, pelo casamento seguido do divorcio com seu pai, seu nascimento, até chegar na fatídica noite em que a vida de Jean acabou.

Existem muitos pontos interessantes em Meus Lugares Escuros, o primeiro de todos é claro, é a premissa. Embora Ellroy tenha escrito sobre diversos crimes, inclusive reais (como em Dália Negra), o crime sobre o qual ele fala em Meus Lugares Escuros é um crime que está muito perto dele e sobre o qual, ele naturalmente, tem sentimentos.

Eu esperava que a escrita seria um tanto quando emotiva, mas não é isso o que acontece, muito pelo contrário, Ellroy fala sobre o assassinato de maneira fria, quase Impessoal. Logo nas primeiras páginas, ele descreve como sua mãe foi encontrada e a causa de sua morte sem demonstrar nenhuma emoção. Obviamente que o livro foi escrito depois que ele já era um homem adulto, mas é impossível negar que a morte de sua mãe o abalou e provavelmente ainda o abala.

Quando nós vamos conhecendo mais sobre a vida de Ellroy quando ele era criança, percebemos então, mais coisas interessantes, na época da morte de sua mãe, Ellroy estava com raiva dela e pensava com frequência que não séria ruim se ela morresse, já que Jean e Armand Ellroy, o pai de Ellroy, estavam separados e brigando pela guarda do filho. Armand falava para o filho que sua mãe era bêbada e promiscua e que não permitia que ele ficasse com a guarda do filho, e o garoto, acreditava, por isso, demorou um tempo para que Ellroy de fato percebesse e entendesse o que tinha acontecido.

Mesmo assim Ellroy consegue perceber o quanto a morte de sua mãe influenciou na sua personalidade, primeiro ele se tornou um pré-adolescente revoltado e cheio de, que costumava dar declarações polemicas e racistas na escola, se envolvendo sempre em confusões e brigas, depois, ele se tornou obcecado por crimes e assassinatos. Ele mergulhou profundamente em leitura policial e começou a ter fantasias, muitas vezes sexuais, que envolviam morte e violência.

O nome Meus Lugares Escuros vem bem a calhar com a narrativa do livro, Ellroy não poupa o leitor de nada, ele fala do assassinato da mãe com detalhes, faz previsões sobre a vida social e sexual da mãe, admite que provavelmente ela era alcoólatra, fala abertamente que naquela época, a odiava, mas que também se sentia sexualmente atraído pela mãe, fala sobre o período após a morte dela, aonde ele começa a ter fantasias cada vez mais violentas (inclusive envolvendo a própria mãe), e em que ele mesmo, se torna um garoto violento, fala sobre o seu período como indigente, como ele invadia casas, fala sobre ter sido preso. Meus Lugares Escuros realmente mergulha fundo em períodos terríveis da vida de seu autor, sem vergonha e sem meias palavras.

Ellroy faz outras reflexões interessantes sobre a sua vida e o rumo que ela tomou, ele diz que na mesma época em que ele começou a ter fantasias que envolviam morte, ele começou a ter ideias para histórias e que muitas vezes, uma coisa estava acompanhada da outra, ele então se questiona se o assassinato de sua mãe não o formou, não só como pessoa, mas também como escritor de suspense. É no mínimo curioso que de tantos assuntos no mundo, Ellroy tenha escolhido escrever sobre um que é tão próximo dele.

Ele também traz à tona a sua relação com o caso da Dália Negra, que mais tarde se tornaria um do seus livros mais famosos. Elizabeth Short, apelidada posteriormente pela mídia de Dália Negra, era uma aspirante a atriz, que foi assassinada de maneira brutal, em 1947. Embora o caso tenha sido investigado, ele nunca foi resolvido. Ellroy se tornou obcecado com o caso, a ponto de visitar com frequência o lugar aonde o corpo de Short foi encontrado, em Meus Lugares Escuros ele diz que o assassinato de Short tinha semelhanças com o assassinato de sua própria mãe: As duas eram mulheres bonitas, moravam na mesma cidade, tinham vidas sociais e sexuais ativas, o que era escandaloso para a época, foram assassinadas em períodos próximos, e nunca tiveram seus casos resolvidos. Para ele, a Dália Negra se tornou uma substituta, cuja o caso ganhou mais projeção, para sua mãe.

Além das análises pessoais, Ellroy também fala sobre feminicídios e sobre a quantidade de mulheres que são assassinadas, geralmente por homens, todos os dias. Ele analisa as relações de poder entre os dois sexos e pensa sobre o porque dos homens se acharem no direito de tirar a vida das mulheres, seja por sexo, poder, dominação ou traição. Ellroy traz para o leitor diversos casos de assassinato de mulheres, todas vitimas indefesas, como Jean, como a Dália Negra e como grande parte das personagens femininas que Ellroy passou a escrever.

Meus Lugares Escuros é uma analise extremamente profunda da alma e dos traumas de um dos maiores escritores noir da atualidade, o livro também é uma investigação de um crime, que parece saído das paginas de um dos livros do autor, e não deixa de ser uma história de superação.

Capa comum: 448 páginas

Editora: Record (23 de abril de 1999)

Idioma: Português

ISBN-10: 8501053015

ISBN-13: 978-8501053015

Dimensões do produto: 20,8 x 13,6 x 2,6 cm

Peso de envio: 621 g

Fonte: https://www.amazon.com.br/Meus-lugares-escuros-James-Ellroy/dp/8501053015/ref=tmm_pap_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=&sr=

Crédito da imagem: Fernanda Cavalcanti

 

 

2 comentários em “Meus Lugares Escuros, James Ellroy”

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