livros

Espinhos do Mal, V.C Andrews

Aviso: Esse texto contém spoilers de O Jardim dos Esquecidos e Pétalas ao Vento, de V.C. Andrews.

“Nobody ever does anything for anyone else unless it givens them even more”

“Ninguém nunca faz nada por ninguém, a não ser que ganhe algo mais com isso.”

Traduzido livremente por Fernanda Cavalcanti

No terceiro volume da saga dos Foxworth (Os outros são O Jardim dos Esquecidos, de 1979 e Pétalas ao Vento, de 1980), acompanhamos os irmãos Cathy e Chris agora já adultos e vivendo como um casal. Juntos eles criam os dois filhos de Cathy, Jory e Bart, que sabem que Chris não é o pai deles, mas não fazem a menor ideia de que na verdade, ele é tio deles.

Tudo corre bem na família, até que a casa ao lado da deles é comprada por uma misteriosa senhora que está sempre de preto e com o rosto coberto por um véu. Bart, que se sente constantemente preterido em função do irmão, que além de um ótimo dançarino, também é bonito, acaba indo buscar afeição na vizinha, que parece disposta a satisfazer todas as vontades do menino.

Na casa, também se encontra o mordomo da senhora, que sabe alguns segredos sobre os antepassados de Bart.

A saga dos Foxworth é uma série de livros que fez um certo barulho nos Estados Unidos, e até hoje é relativamente popular, mas que não é tão famosa aqui no Brasil. Ao mesmo tempo em que os livros são absurdamente populares e foram lidos por uma grande quantidade de pessoas, eles também não são vistos com bons olhos.

Para quem é mais ligado em literatura, os livros são considerados melodramáticos e literatura de baixa qualidade, quase como uma literatura de banca, para os conservadores, os livros são recriminados porque tratam de assuntos um tanto quanto polêmicos.

É meio complicado explicar Os Espinhos do Mal como um livro único, já que é necessário entender tudo que aconteceu antes da história de Bart para que a gente compreenda a história do garoto. No primeiro livro, O Jardim dos Esquecidos, acompanhamos uma família que é aparentemente perfeita, composta por Christopher e Corrine e seus filhos bonitos e loiros: Chris, Cathy e os gêmeos Carrie e Cory.

Quando Christopher morre inesperadamente, Corrine não tem mais dinheiro para manter a vida que eles levavam e resolve ir morar com seus pais, com quem ela não falava a anos. Chegando na casa dos pais de Corrine, as crianças conhecem a avó, mas são informadas que não vão conhecer o avô, pois ele não as aceita de maneira nenhuma. Para que eles possam ficar na casa sem que o avô perceba, eles terão que viver os quatro no sótão.

Corrine garante a eles que essa é uma solução temporária, que logo ela vai convencer seu pai de que os netos não são “frutos do pecado” e que eles poderão sair do sótão, mas embora ela mantenha visitas constantes as crianças, os anos passam sem que eles possam sair do sótão. As quatro crianças começam então, a construir um jardim de papel para se distraírem e depois de um tempo, Cathy e Chris, que a essa altura já se tornaram adolescentes, acabam se apaixonando.

No segundo livro, Pétalas ao Vento, depois que saíram do sótão, Cathy já é uma mulher de 20 e poucos anos e está realizando o seu sonho de ser bailarina profissional e está apaixonada por um dos dançarinos da sua companhia, mas mesmo assim, continua pensando em Chris. Ela também não para de pensar em se vingar de sua mãe, que a essa altura, está casada com outro homem.

Em Os Espinhos do Mal, encontramos Cathy e Chris vivendo como marido e mulher e criando os filhos de Cathy. A primeira coisa que é possível notar é que os livros da saga vão perdendo o conteúdo ao longo do tempo. O Jardim dos Esquecidos trata de vários temas, e ainda tem um mistério, já o segundo livro é focado basicamente nos relacionamentos de Cathy e Os Espinhos do Mal, por sua vez, começa retratando uma rotina familiar comum que poderia ser a de qualquer um.

O livro tem seus pontos de virada, que estão diretamente ligados à senhora que se muda para casa ao lado da família, mas que não são extremamente interessantes e nem surpreendentes, na verdade, para quem leu os outros livros, ou conhece a história minimamente, as reviravoltas são até bem óbvias.

O primeiro livro da série não é um grande livro, mas é um bom passatempo, que prende o leitor e que tem seus momentos de suspense e terror, o livro é quase tétrico e beira ao terror, mas essa essência vai se perdendo pelo caminho, Os Espinhos do Mal é consideravelmente mais chato que O Jardim dos Esquecidos, embora seja um pouco mais interessante que Pétalas ao Vento, que é quase um novelão.

Existem pontos positivos no livro, é claro, como a critica que ele faz, não de maneira direta, ao machismo e ao fanatismo religioso, que parece rondar toda a família Foxworth, por outro lado, ele naturaliza o incesto, uma vez que trata o casal formado por Cathy e Chris como um casal exemplar e bonito, que superou todas as dificuldades da vida, quando na realidade, além dos dois serem irmãos, eles estão presos em um relacionamento quase doentio forjado pelos anos que eles passaram presos no sótão.

O incesto é um tema que ronda a obra toda, o tema aparece não só na relação de Cathy e Chris, mas também dos pais dos dois que são respectivamente tio e sobrinha e na relação entre Malcom, o avô de Cathy e Chris e sua madrasta, Alicia.

A saga dos Foxworth não é o maior exemplo de literatura, embora seja muito complicado julgar o que é e o que não é literatura de primeira e de segunda mão, mas são livros ótimos para se passar o tempo, a leitura é fácil e é natural que o leitor queira saber o que acontece. Meu conselho para a leitura de Os Espinhos do Mal, assim como dos outros livros da série, é lê-los sem pretensão ou expectativa.

Encontrar os livros no Brasil e em português, no entanto é outro problema, já que eles foram publicados por aqui na época do lançamento. Hoje em dia é possível encontra-los em inglês em edições novas ou nos sebos em português, muitas vezes com preços um tanto quanto absurdos. A editora Novo Século começou a publicar a série novamente por aqui há alguns anos atrás, mas aparentemente parou no segundo volume, Pétalas ao Vento.

Os Espinhos do Mal é um livro que funciona muito bem como um entretenimento e pode agradar quem gosta da saga e de histórias rocambolescas.

Foto: Fernanda Cavalcanti

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