Adaptações, filmes

Filme: Cemitério Maldito, 2019

Louis Creed (Jason Clarke) se muda com sua esposa, Rachel (Amy Seimetz) e os filhos Ellie (Jeté Laurence) e Gage (Lucas e Hugo Lavoie) para uma cidade do interior, em busca de calma e sossego. Eles compram uma casa que fica em frente a uma rodovia, não demora muito para que a tranquilidade do lugar comece a perturbar a família.

Louis tem que lidar com a morte em seu novo trabalho como médico da faculdade, Ellie começa a fazer perguntas estranhas, Rachel começa a lembrar de Zelda (Alyssa Brooke Levine), sua irmã que morreu quando ela era criança e o gato de Ellie, Church é atropelado.

Desesperado e sem querer contar para a filha o que aconteceu, Louis com a ajuda do vizinho Judd (John Lithgow), enterra Church em um cemitério local, escondido além da mata. No entanto, Church volta algum tempo depois, cheirando mal e se comportando de maneira violenta.

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A morte de Church, por sua vez, está longe de ser a última tragédia que a família Creed vai enfrentar.

Cemitério Maldito é inspirado no livro O Cemitério, de Stephen King e já é a segunda adaptação do livro.

A trama de Cemitério Maldito é uma das mais sinistras de King, a história basicamente ronda em torno da morte e de todos os seus desdobramentos. Louis é médico e por isso, na teoria, lida com a morte no seu dia a dia, mas ele fica aterrorizado quando um estudante (Obssa Ahmed) acidentado e prestes a morrer dá entrada no hospital da faculdade. A situação é tão perturbadora para Louis, que ele passa a ter pesadelos com o rapaz.

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Já Rachel é completamente incapaz de lidar com a morte, quando criança ela acompanhou de perto toda a doença de sua irmã Zelda, ela também era a única pessoa que estava na casa quando Zelda morreu. Rachel até hoje se culpa por não ter mantido uma relação com Zelda, já que ela morria de medo da irmã e por ter desejado que a irmã morresse.

Nada disso impede que a filha dos dois comece a fazer perguntas sobre a vida após a morte, isso desperta emoções muito distintas em cada um dos pais e o telespectador consegue ver como os dois tem pontos de vistas diferentes: Louis é um homem mais pratico que não acredita em vida após a morte e que acha que a filha não deveria acreditar nisso também, já Rachel acredita e quer que a filha pense na possibilidade da existência de um paraíso.

Tudo isso também é uma preparação para tudo o que vamos acompanhar durante o filme, fica óbvio que a morte está rondando a casa dos Creed e por isso sabemos logo no começo que a morte de Church é só o começo de tudo.

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Cemitério Maldito dá uma modernizada no livro de King, o filme parece se passar nos dias de hoje, então os figurinos são diferentes e nos momentos em que Louis pesquisa sobre o cemitério aonde ele enterrou Church, ele faz uso da internet. Nada disso prejudica o filme ou desvirtua a sua história original, muito pelo contrário, isso só mostra a força que o livro tem ainda nos dias de hoje.

O filme também constrói bem a relação do público com Ellie, ela aparece como uma criança adorável e inteligente e é natural que a plateia comece a gostar dela. Ela também se torna muito próxima de Judd, o vizinho dos Creed. Por isso é mais doloroso acompanhar o desenrolar do filme e as situações que se desdobram da descoberta do cemitério.

Mas o remake peca em alguns aspectos. Ele muda uma característica do livro (e do filme original) que é extremamente assustadora, e isso faz com que o filme novo perca um pouco da sua força.

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Embora Cemitério Maldito use de muito mais efeitos do que o filme original e possa fazer uso de uma tecnologia melhor e mais realista, o filme de 1989 ainda é mais assustador. O filme original se apoia muito mais no tema sinistro do livro e mantém essa aura durante todo o longa, mesmo antes de qualquer coisa acontecer, quando a família Creed ainda parece uma família feliz de comercial de margarina, o telespectador já está no clima de terror.

Um dos elementos mais assustadores do filme de 89 não está presente no remake: no filme original, Zelda é interpretada por um homem (Andrew Hubatsek), devido a sua doença, Zelda é muito magra e o diretor do filme original, acreditava que só um homem conseguiria ficar magro o suficiente para o papel. Surpreendentemente essa é uma escolha que funciona muito bem, a Zelda do filme original é provavelmente a coisa mais assustadora do filme. Os diretores do filme de 2019, no entanto, escalaram uma mulher para o papel e mesmo com todos os efeitos disponíveis, o resultado não é o mesmo.

O livro é naturalmente pessimista, acompanhamos uma história que fica cada vez mais sinistra e ao final da leitura, nós sentimos até um pouco perturbados, Cemitério Maldito vai mais longe ainda, o filme consegue ser ainda mais pessimista que o livro e que o filme de 89. Ele também parecer elevar a tragédia a níveis maiores e mais assustadores.

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É certo que existe muito cuidado na produção do filme, a fotografia, a luz e os figurinos são bem pensados, as atuações são boas, especialmente a de Jeté Laurence e os efeitos cabem e funcionam muito bem dentro do filme, mas por algum motivo, Cemitério Maldito não surte o mesmo efeito que o filme original. Ele tem seus momentos assustadores e pode deixar os mais medrosos sem dormir a noite, mas ele não é tão sinistro e não perturba tanto.

Cemitério Maldito é um filme ruim? Não exatamente, mas ele também não é incrível e talvez se faça um pouco desnecessário quando se pensa que o filme de 89 é melhor e ainda cumpre o seu papel.

Cemitério Maldito pode assustar e até agradar quem não viu o filme original ou não leu o livro, mas certamente deixa a desejar quando se conhece as obras anteriores.

Título no Brasil: Cemitério Maldito

Título original: Pet Sematary

Diretor: Kevin Kolsch, Dennis Widmyer

Gênero: Terror

Nacionalidade: EUA

Ano: 2019

Duração: 1h 41min

Elenco: Jason Clarke, Amy Seimetz, John Lithgow, Jeté Laurence, Alyssa Brooke Levine

 

 

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