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Filme: Deslembro, 2018

Joana (Jeanne Boudier) passou a maior parte da sua vida em Paris, aonde a sua família se exilou depois da prisão seguida do desaparecimento de seu pai, Eduardo (Jesuíta Barbosa) na ditadura militar.

Depois da anistia, a mãe dela (Sara Antunes) resolve retornar contra a vontade de Joana, que agora vai ter que enfrentar as memórias dolorosas que ela tem do Brasil e do pai, além de abandonar toda a vida que conhece.

A ditadura militar é o pano de fundo de Deslembro, é ela que leva Joana a Paris, ainda criança e assim determina toda a vida da menina, e é o fim dela, que faz com que a menina retorne ao seu país de origem, mesmo que contra a sua vontade.

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Joana sabe desde o começo do filme que seu pai está morto, embora, ninguém tenha certeza do que aconteceu, uma vez que ele foi considerado apenas desaparecido político. Ela não lembra com clareza tudo que aconteceu com sua família no Brasil, mas a aversão que ela tem pelo país é bem clara.

Depois que Joana chega ao Rio de Janeiro, ela começa a ter flashs do passado e o telespectador acompanha isso do ponto de vista da própria Joana, o que é uma decisão interessante, uma vez que ela é a protagonista e que por isso, só teríamos acesso àquelas memórias através dos olhos dela. A visão de Joana é, muitas vezes, a visão de uma criança bem pequena e por isso, é interessante.

Deslembro também nos mostra a ditadura de um ponto de vista diferente. Dessa vez não acompanhamos a ditadura da visão de alguém que foi perseguido ou preso, mas sim de Joana, jovem demais para estar envolvida nos movimentos revolucionários, mas que do mesmo jeito que seu pai, também foi prejudicada pela repressão.

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O filme também mostra como a ditadura afetou a vida da avó de Joana, Lucia (Eliane Giardini), mãe de Eduardo, que perdeu o filho e em seguida a neta.

Mas acima de tudo, Deslembro é um filme de formação, o que acompanhamos na tela é Joana, se tornando adulta.

A adolescente não só lida com a falta que o pai faz, ao mesmo tempo em que tenta entender quem ele era. Além disso, Joana também tem diversas questões ligadas a adolescência que são universais: os embates com a mãe são freqüentes, especialmente em relação a decisão de voltar ao Brasil, a confusão proveniente do crescimento, o primeiro amor e as primeiras experiências, o uso da música e da literatura como uma tabua de salvação para tudo que ela observa.

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Nesse aspecto, embora se passe em um período muito especifico e fale de uma personagem com um passado e referências bem claras, Deslembro é um filme que pode fazer sentido para qualquer pessoa que já teve 15 anos.

Deslembro é um filme simples em relação a sua parte técnica, mas muito bem realizado. Não existe muita preocupação em contextualizar a época pelo figurino, as roupas dos personagens poderiam muito bem ser dos dias de hoje, mas ficamos sabendo a época em que Deslembro se passa não só pela trama, mas também pelos programas de televisão que Joana e os irmãos assistem na televisão, depois que eles retornam ao Brasil. Essa é certamente uma maneira diferente de contextualizar um filme.

O filme também tem boas atuações, seja dos personagens coadjuvantes, seja dos protagonistas. Hugo Abranches e Arthur Vieira Raynau, que interpretam os irmãos de Joana, estão ótimos em seus papeis, assim como Jesuíta Barbosa, que interpreta Eduardo, o pai de Joana, e que embora não apareça no presente, está em todos os momentos do filme, através das lembranças da menina. Apesar de estar sumido, Eduardo se faz presente na vida da filha, pela sua ausência.

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Mas é claro que o filme é de Jeanne Boudier, que interpreta Joana e carrega o filme inteiro.

A simplicidade da parte técnica de Deslembro é quase um contraste com o roteiro, que é muito forte e fala sobre assuntos sérios e importantes, Deslembro não só fala da ditadura militar, um período terrível da história brasileira, mas também de uma adolescente se tornando adulta no período de anistia, ou seja, Deslembro retrata um período difícil da história do Brasil, que coincide com um período difícil da vida de sua protagonista.

Em muitos aspectos, o longa lembra Califórnia, de Marina Person, que se passa mais ou menos na mesma época e também tem uma adolescente como protagonista.

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Deslembro é um coming of age diferente, que retrata ao mesmo tempo, um período histórico importante e que não deveria ser esquecido.

Deslembro entra em cartaz no dia 20 de junho.

Título no Brasil: Deslembro

Título original: Deslembro

Diretor: Flavia Castro

Gênero: Drama

Nacionalidade: Brasil

Ano: 2018

Duração: 1h36

Elenco: Jeanne Boudier, Eliane Giardini, Hugo Abranches, Marcio Vito, Arthur Vieira Raynaud

 

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