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Noturno Para Margaret, Ruth Rendell

“Com sua longa experiência, Burden sabia que, apesar da ficção detetivesca, a coincidência é mais comum que a conspiração na vida real”.

 No seu primeiro livro- e primeiro caso do inspetor Wexford- Ruth Rendell nos conta o caso de Margaret Parsons, uma dona de casa, tímida que não parece ter nada de extraordinário e um dia simplesmente desaparece de casa. Seu marido entra em contato com Wexford querendo encontrar a esposa, mas logo o corpo da mulher é encontrado.

Margaret parece ser uma mulher sem inimigos e por isso, ninguém consegue imaginar o porquê dela ter sido assassinada.

É dessa premissa que parte a investigação do inspetor, ele conversa com amigas de Margaret e chega até as suas antigas colegas de escola, que vão lhe tecendo uma trama um pouco mais complicada, Wexford conclui que Margaret era uma mulher com mais segredos do que aparentava.

Noturno Para Margaret soa como um livro noir clichê que explora de pontos e tramas da mesma maneira que outros livros já fizeram, e isso não é completamente mentira. É verdade que essa trama de mulher acima de qualquer suspeita, assassinada e que ao longo da história se revela uma personagem misteriosa e cheia de segredos está no cerne do romance noir, mas quando você pensa que o livro foi publicado em 1964, fica claro que ele não é repetitivo.

O que acontece com Noturno Para Margaret acontece com bastante freqüência com qualquer obra mais antiga, coisas que foram criadas depois começam a copiar e se inspirar nelas e tudo começa a soar meio igual, mas é obvio que a obra original ou as mais antigas merece crédito pela ideia.

O mistério em Noturno Para Margaret é sim, muito interessante e bem construído, nós vamos descobrindo as coisas juntos com Wexford e até com o marido da vítima, que não sabe muita coisa sobre sua própria esposa.

A ideia de mostrar Margaret como duas mulheres completamente diferentes também é ótima, e a sua maneira Margaret fala sobre a posição das mulheres nos anos 60, uma vez que Margaret é uma dona de casa e esposa perfeita, mas que seu passado guarda segredos que fazem dela uma mulher com vontades próprias, que jamais seriam aceitas na sociedade da época. Quando Rendell nos apresenta algumas das antigas colegas de escola de Margaret então, temos uma visão ainda maior dessa posição.

É interessante que embora o protagonista seja um homem, o que é natural em um livro publicado em 1964, já que nessa época, mulheres não eram detetives, passamos boa parte do tempo tentando entender o que se passava na cabeça de Margaret, o que é mais um ponto interessante de Noturno Para Margaret.

Mas o que mais me chamou atenção em Noturno Para Margaret é o quão moderno o livro é, ele fala quase abertamente sobre relacionamentos homossexuais, o que para 1964 é uma característica a se destacar, o mais importante é que a homossexualidade não é tratada como “doença” ou como algo fora do comum. A maneira com que essa trama é introduzida na história é muito interessante e me deixou de boca aberta.

Como grande parte dos livros policiais, Noturno Para Margaret é um livro bem fácil de ler e de leitura rápida, porque o leitor quer descobrir os mistérios que a história apresenta e a resolução do caso, claro.

Noturno Para Margaret é um exemplar típico do romance policial, que embora escrito há muito tempo, soa extremamente atual.

Título no Brasil: Noturno Para Margaret

Título original: From Doon with Death

 Autor: Ruth Rendell

Gênero: Suspense, Policial, noir

Ano de lançamento: 1964

Editora: Edições Francisco Alves

Número de Paginas: 156

Foto: Fernanda Cavalcanti

 

 

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