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Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose, Stephen Rebello

 

“Aqui, todo mundo está pronto para aceitar os aplausos pelo sucesso e fugir correndo do fracasso”- Robert Bloch

Em Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose, o autor Stephen Rebello fala sobre a criação e a produção de Psicose, o filme mais famoso de Hitchcock.

O livro começa nos falando sobre todas as pessoas que estiveram envolvidas em Psicose, a começar por Robert Bloch, que escreveu o livro que inspirou o filme. O livro teve uma carreira relativamente curta e não fez muito sucesso, Hitchcock, que estava sempre procurando ideias para novos filmes, acabou entrando em contato com o livro e gostando da história.

Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose passa pelo processo de negociação da venda dos direitos do livro e Bloch até fala como ele se sentiu depois que o livro virou filme e se tornou muito mais popular que o livro.

Os primeiros capítulos do livro são todos dedicados a pré-produção do filme, ouvimos o que os produtores pensaram do filme, o que Hitchcock pensou e o que o elenco pensou. É interessante estar dentro da cabeça das pessoas que participaram da produção e conseqüentemente dentro da produção de Psicose.

Depois disso o livro passa a descrever a produção do filme, assim como seus problemas e seus acertos, ele também cobre a parte de pós-produção e até o legado do filme.

Lendo o livro pude descobrir que existem diversos detalhes importantes sobre Psicose. Até Psicose, Hitchcock tinha feito filmes grandes, com bastante orçamento, mas nenhum dos produtores acreditava no potencial de Psicose, por isso, o diretor não teve muito dinheiro para realizar o filme.

Hitchcock então, usou o que tinha. O filme tem muitos efeitos especiais simples, e que funcionam até hoje, já que Psicose ainda é um filme bem impressionante. O livro também nos apresenta a alguns conceitos usados no filme referentes a fotografias e figurinos, que fazem muito sentido quando você pensa na obra completa. Quando você lê o livro e descobre todos esses detalhes, assistir o filme se torna ainda mais interessante.

O filme fez algumas mudanças no conteúdo do livro, como é normal, mas a mais importante dela e que tem bastante destaque em Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose é a aparência de Norman Bates. No livro, Bates é descrito como um homem gordo e com aparência estranha, o que na opinião de Hitchcock jamais atrairia Marion, a ideia do diretor então, foi transformar Bates em um homem mais bem apessoado e educado, é daí que surge a escolha de Anthony Perkins.

O livro também deixa claro que Perkins deu sua própria versão a Bates, dando traços mais delicados a esse homem, que na realidade não tem delicadeza alguma. Dessa maneira, Hitchcock criou a sua própria versão de Psicose, que é diferente da versão de Bloch.

Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose também entra nessa seara, Bloch se sentiu traído por Hitchcock, que pagou um preço bem baixo nos direitos do livro e depois ganhou bastante dinheiro em cima do seu filme. Mais tarde, o diretor retiraria boa parte dos livros de Bloch de circulação para que os livros não prejudicassem seu filme e depois, diria que a maioria das ideias presentes no filme eram deles e não de Bloch.

É verdade que o cinema é uma arte coletiva e que muita gente deixou sua marca em Psicose, no entanto, Bloch sente que nunca recebeu os créditos que merecia por Psicose e como o filme acabou prejudicando a venda de seus livros, para ele, Psicose não teve tantas vantagens assim.

Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose evita temas muito polêmicos, como o gênio de Hitchcock, que é de conhecimento de muitas pessoas. O livro fala sobre o fato do diretor ter se apropriado da história como se fosse toda dele, assim como aconteceu com as ideias por trás da montagem do filme, e toca levemente na relação de Hitchcock com seus atores, que era conturbada, mas não se aprofunda nisso.

Talvez seja porque tanto Perkins, quanto Janet Leigh não tinham muitas reclamações em relação ao diretor, diferente de Tippi Hedren, estrela de Os Pássaros, que acuso o diretor de ser obcecado por ela, ter a atacado sexualmente e quando recusado, a obrigado a fazer cenas perigosas e Vera Miles, que está em Psicose, e que antigamente tinha sido perseguida pelo diretor e depois recusada quando engravidou um pouco antes das filmagens de Janela Indiscreta, aonde foi substituída por Grace Kelly.

O livro fala mais profundamente sobre a relação de Hitchcock e Miles e de como ele, a colocou totalmente em segundo plano em Psicose, ainda como punição por sua gravidez, mas relativiza alguns dos comportamentos do diretor em relação aos atores e atrizes que trabalhavam com ele, que são em muitos casos, absurdos.

No entanto, o grande mérito de Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose é colocar seu leitor dentro do contexto da criação desse clássico do cinema.

É importante ressaltar que Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose não é um livro de ficção, ele é um livro que conta exatamente o que o título promete, os bastidores das filmagens de Psicose e também que é interessante já ter assistido o filme para ler o livro, já que o livro dá diversos spoilers sobre a trama do filme e nem poderia ser diferente, já que ele se propõe a analisar a obra.

Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose é um livro divertido e muito fácil de ler, as informações que ele passa são extremamente interessantes. Pode-se ter a impressão de que Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose é um livro voltado para quem gosta ou trabalha com cinema, mas não é bem verdade, o livro pode interessar qualquer pessoa. Claro que se você gosta da produção cinematográfica, de cinema e do filme é natural que o livro vá te interessar e te agradar mais.

Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose é uma oportunidade única de conhecer o que aconteceu por trás das câmeras durante as filmagens de um dos maiores clássicos do cinema e é uma ótima leitura.

Título no Brasil: Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose

Título original: Alfred Hitchcock and the Making of Psycho

Autor: Stephen Rebello

Gênero: Não ficção, cinema

Ano de lançamento: 1990

Editora: Intrínseca

Número de Paginas: 256

Foto: Fernanda Cavalcanti

 

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