filmes, guest post

Filme: Luna, 2018

Guest Post por Marcelo Barreto

Direção: Cris Azzi

Elenco: Eduarda Fernandes, Ana Clara Ligeiro, Matheus Soriedem

Gênero Drama

Nacionalidade Brasil, 2018

Duração: 90 min

Ambientado num espaço adolescente, tema na moda, o filme de Cris Azzi (Cada dia uma vida inteira, O dia do galo) acompanha a exploração de sentimentos vividos por Luana (Eduarda Fernandes) e disparados pelo envolvimento com Emília (Ana Claro Ligeiro), o longa nos convidando a acompanhar lado a lado o desenrolar de sua pequena odisseia de confrontamento com as forças sociais que naturalmente surgem desse despertar.

O termo “pequena odisseia” não é por acaso: não só o alcance de tempo da trama é curto (algumas semanas, presumivelmente) como também o filme não permite um maior aprofundamento na relação do espectador com os personagens, por um certo ar distante. Explico.

O começo é promissor: seguindo a cartilha da moderna concepção de imagens (apresentação dos personagens alternando câmeras paradas com enquadramentos padrão e poucos sons incidentais) presentes nos primeiros planos, o filme nos faz ter a esperança de que cairemos de cabeça em momentos sofridos. E, durante todo o tempo, essa esperança permanece. Mas no fim, isso nunca se concretiza (o que é de fato a proposta do filme, ao escolher por exemplo, exibir um vídeo-depoimento de Luna logo no início e resolver essa proposta prematuramente) mesmo quando a barra pesa. Há alguns outros bons detalhes: o enquadramento nunca dá oportunidade para o voyeurismo que um certo ar erótico das imagens pode propiciar, o que seria um contrassenso com relação ao posicionamento moral do filme acerca dos temas. A imagem com a qual Luna se “vende” como camgirl é poética, de verdade; e a atuação de Fernandes é, por vezes, excessivamente contida, porém ela consegue segurar bem a onda em momentos de close mais longos.

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Entretanto, a artificialidade no ritmo de várias falas e de uma outra cena deixa o ambiente frio. Some-se a isso a exposição na internet, o assédio, a lisergia, todos temas bem batidos. A um filme novo que queira enveredar por esse veio, espera-se ousadia e criatividade narrativa. Luna fica devendo um pouco: troca de falas em ritmo lento e alongamento mais do que desejado em momentos de câmera fixa.

A despeito de comparações com outros filmes mais viscerais (Ferrugem, As melhores coisas do mundo), que tornariam a missão de Luna em convencer o público já experiente com a temática uma tarefa árdua, a narrativa blasé enfraquece um pouco o conjunto.

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O que fica é um exemplo do novo cinema produzido no Brasil que não deverá ficar na memória de quem o assiste, mas que pode indicar boas promessas de carreira para elenco principal e direção.

Se não se esperar muito, será uma experiência interessante. Fica como dica.

Texto de Marcelo Barreto

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