43ª Mostra Internacional de Cinema, filmes

43ª Mostra Internacional de Cinema: Afterlife, 2019

Sam (Sanaa Giwa) é uma adolescente que se sente responsável pelo seu pai (Gijs Scholten van Aschat) e pelos irmãos. Desde que a mãe (Romana Vrede) morreu, Sam é quem cuida da casa.

No entanto, Sam sente muito falta da mãe e um dia, depois de ser atropelada por um caminhão, Sam vai parar no Além vida, aonde encontra a mãe e precisa decidir se fica com ela ou se reencarna.

A premissa de Afterlife nos faz automaticamente pensar que o filme seja mais puxado para o drama, mas não é o caso. O filme começa de um jeito muito divertido, nos mostrando como é a vida de Sam antes da morte de sua mãe.

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Afterlife até toma contornos de comédia quando conta como foi a morte de Vera, a mãe através de desenho. Isso somado ao fato de que a morte dela é inesperada e inusitada dá um ar irônico ao filme, que se repete durante todo o tempo.

Também fica claro para o telespectador que a vida de Sam antes da morte da mãe e depois da morte da mãe é completamente diferente. Depois que Vera morre, Sam praticamente toma o seu lugar e passar a cozinhar, limpar e cuidar de todos na casa. Ela basicamente deixa de viver a sua vida e para de desenhar, algo que ela gostava muito de fazer, para cuidar do pai e dos irmãos.

Com muito mais responsabilidades do que qualquer adolescente deveria ter, sentindo muito falta da mãe e presa em uma vida que detesta, não é de surpreender que Sam esteja desesperada e pensando que seria melhor simplesmente deixar de existir.

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É nesse momento que Sam morre e vai parar no Além vida, aonde depois de anos, reencontra a sua mãe. Naturalmente que o primeiro desejo de Sam é ficar ali com a mãe, mas as duas começam a pensar que não é correto que uma adolescente, que não aproveitou a vida e não viveu tudo que deveria viver esteja morta, e aí que elas começam a se questionar se Sam deveria voltar e viver sua vida novamente.

Afterlife tem uma visão interessante do além morte, o Além vida é divertido e animado e mais ou menos como a terra, só que sem problemas e com todas as pessoas que você já amou. O fato do lugar ser tão interessante, deixa Sam ainda mais confusa, afinal, porque ela deixaria esse lugar divertido, com comida, bebida, sua mãe e diversas pessoas que ela amava que morreram?

Essa ideia de além morte combina muito com o tom do filme, que é divertido e irônico. Uma narração em terceira pessoa, de um narrador extremamente colado a Sam- tanto que ele vai até o Além vida com ela- ajudam a dar esse tom. Para um filme que fala de morte, e na maioria das vezes, de mortes extremamente trágicas, Afterlife é bem engraçado.

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A direção de arte também se preocupa em usar muitas cores, o que mais uma vez, aumenta o tom de comédia e se distancia muito do tema da morte. Isso poderia soar absurdo, já que o tema do filme é justamente a morte, mas me parece que a ideia é falar sobre isso de maneira cômica.

É obvio que o filme trabalha na chave do fantástico, uma vez que ninguém tem certeza, pelo menos por enquanto, do que acontece depois que nós morremos, por isso, o filme faz diversas concessões da realidade, que estão bem calçadas na trama e que fazem parte daquele universo proposto pelo diretor. Independente das suas crenças, é possível suspender a realidade pelo tempo do filme e aproveitar a trama que se desenvolve.

Afterlife tem muitos momentos de comédia e é divertido em grande parte do tempo, mas na realidade, o filme se apresenta como um drama e quer falar sobre a relação de Sam com sua mãe. Podemos abranger isso para algo ainda maior, e dizer que o filme fala sobre a relação entre mães e filhas e sobre o vínculo que existe mesmo após a morte.

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É importante ressaltar que Afterlife não é um filme religioso, ou espirita ou que levanta bandeiras, o filme não quer, em momento algum, convencer os telespectadores de que a vida além da morte existe e de que ela é dessa maneira, o filme apenas utiliza esse aspecto para falar de relações maiores.

Com um tom divertido, mas temas profundos, Afterlife é um filme diferente e bonito. Afterlife faz parte da programação da 43ª Mostra Internacional de Cinema, para programação e mais informações, acesse: http://43.mostra.org/br/home/

Título no Brasil: Afterlife

Título original: Hiernamaals

Diretor: Willem Bosch

Gênero: Suspense

Nacionalidade: Holanda

Ano: 2019

Duração: 1h33

Elenco: Sanaa Giwa, Romana Vrede, Gijs Scholten van Aschat, Ben Abelsma

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