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O Plano Infinito, Isabel Allende

“Se não dói, não cura”

Gregory Reeves viveu boa parte de sua vida como nômade, viajando pelos Estados Unidos com sua mãe, sua irmã, uma empregada e seu pai, Charles Reeves. Isso porque Charles era um profeta que pregava a teoria do Plano Infinito, que é a ideia de que nada na vida acontece por acaso.

Quando Charles fica mais velho e doente, a família precisa finalmente parar em uma comunidade latina na Califórnia. A família Reeves logo se acerta e faz amizade com a família Morales, uma família de imigrantes que os recebe muito bem.

Gregory então, passa a viver junto com os filhos dos Morales e a partir daí, O Plano Infinito acompanha o crescimento de Gregory, que precisa lidar com a sua família fora do comum, com preconceitos, com as suas amizades e romances e ainda por cima, com a revolução sexual dos anos 60.

Certamente que O Plano Infinito tem um tema interessante, o livro, aliais, começa muito bem, quando coloca seu leitor viajando junto com a família Reeves e apresenta Charles, esse homem estranho, mas que exerce um certo poder sobre todas as pessoas a sua volta. A criação do personagem, que é um líder religioso carismático, também é muito bem-feita, qualquer pessoa que tenha lido sobre seitas e seus líderes, vai ver características dessas personalidades em Charles, seja nas suas qualidades, seja nos seus defeitos.

Outro ponto do livro que merece ser destacado é que a sua trama parece seguir a teoria de Charles, conforme lemos o livro, vamos ficando com a sensação de que o destino de Gregory já está traçado desde o começo e que mesmo que ele faça qualquer coisa, isso não vai mudar. É interessante que a trama do livro se misture com a teoria do pai de Gregory e esse é um artificio bem pensado.

Allende também é muito boa em contextualizar o leitor a trama que quer contar, embora o protagonista seja Gregory, lemos sobre toda a história pregressa da sua família e até de pessoas que só cruzam o caminho deles. O que por si só, não é ruim e parece ser uma característica da autora, uma vez que ela faz o mesmo em A Casa dos Espíritos, seu livro mais famoso.

Mas o que parece quase natural em A Casa dos Espíritos, que não tem um só protagonista, aqui soa um pouco confuso, uma vez que Allende sai do ponto de vista do seu protagonista vezes sem conta.

Uma obra que trata de diversos temas, também parece ser uma característica de Allende, em O Plano Infinito, a autora aborda a imigração, seitas, a revolução sexual e os anos 60, o crescimento de Gregory, assim como suas relações familiares, amorosas, de amizade e profissionais, abuso sexual e machismo. Claro que todos os assuntos que Allende traz à tona aqui são muito importantes e merecem ser discutidos, e com certeza, ajudam na construção dos personagens, mas alguns temas acabam perdendo espaço para outros.

O livro tem uma série de casos de abuso sexuais, que são colocados de maneira esparsa na trama, mas que não ganham projeção e que parecem meio esquecidos ao longo da trama. Uma das cenas é descrita de maneira tão rápida, embora seja de uma violência extrema, que eu fiquei até em dúvida se tinha realmente acontecido. Pode-se argumentar que talvez a autora não quisesse dar ênfase a esse aspecto, mas me parece meio absurdo colocar isso na trama e depois não desenvolver.

Nada disso faz de O Plano Infinito uma leitura cansativa ou ruim, o livro é sim, bem interessante e prende a atenção, em parte porque a trama é muito boa, em parte porque Allende escreve muito bem e sua prosa é ótima, mas é quase impossível não comparar o livro com A Casa dos Espíritos (que além de ser o livro mais famoso de Allende, é o único que li além desse), que é infinitamente melhor que O Plano Infinito.

A grande questão de O Plano Infinito é que embora ele segure o leitor durante bastante tempo, a sua história vai se tornando cansativa depois de um tempo e conforme Gregory vai ficando mais velho, e as emoções da sua vida diminuindo, essa sensação fica ainda maior. Quando o leitor chega no final de O Plano Infinito já está um pouco cansado da história.

Claro que a trama se segura por ser interessante, ter bons personagens e em função da qualidade da escrita de Allende, o que faz com que a leitura seja rápida e fácil, mas O Plano Infinito certamente não é o melhor livro da autora.

Título no Brasil: O Plano Infinito

Título original: El plan infinito

Autor: Isabel Allende

Gênero: Drama

Ano de lançamento: 1991

Editora: Bertrand Brasil

Número de Páginas: 392

Foto: Fernanda Cavalcanti

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