livros

Estação Onze, Emily St. John Mandel

“Porque sobreviver não é suficiente”

Vinte anos depois que uma gripe misteriosa dizimou boa parte da população mundial, Kirsten é uma jovem atriz que viaja com uma companhia de teatro chamada A Sinfonia, apresentando peças de Shakespeare nas comunidades que ainda restaram.

Kirsten tem algumas poucas lembranças de como eram as coisas antes da gripe e uma dessas lembranças é do ator Arthur Leander que morreu na frente da menina, durante uma apresentação.

Enquanto a Sinfonia anda pelo mundo, sempre com a intenção de levar entretenimento e cultura para uma sociedade que já não tem muitas outras coisas, Kirsten encara todos os tipos de perigo, desde pessoas indesejadas, até um homem que se diz profeta e que tem a capacidade de convencer diversas pessoas disso.

Estação Onze é mais um livro pós-apocalíptico, e nesse sentido segue vários clichês do gênero, como idas e vindas no tempo, diversos personagens, sendo narrados de diversos pontos de vistas, situações limites, e claro, o ser humano demonstrando sua real natureza.

Mas o livro tem alguns aspectos diferentes, por exemplo, embora ele tenha situações limites, que colocam diversas pessoas que pensam diferente, presas em um lugar fechado, a mercê de uma coisa maior e mais perigosa ainda, em Estação Onze esses momentos acontecem em um aeroporto, o que parece ser uma ideia um pouco mais nova e original. O leitor também não passa muito tempo acompanhando essa parte da trama, uma vez que o livro tem diversos personagens.

O que mais distancia Estação Onze de outros livros pós-apocalípticos é justamente o seu tema. Nos outros livros do gênero, os personagens estão apenas preocupados em sobreviver e aspectos básicos são trazidos à tona, como fome, medo e cansaço, nesse livro, no entanto, os personagens da Sinfonia parecem mais preocupados em levar sua arte adiante do que qualquer outra coisa.

É uma perspectiva completamente realista? Não exatamente, já que me parece improvável que alguém tenha tempo de ensaiar ou de assistir a uma peça de teatro quando o mundo virou hostil e a raça humana precisa lutar pela sobrevivência, mas é certamente uma perspectiva inovadora e bonita. É interessante pensar em como seria a cultura e a sua distribuição, em um mundo onde não se tem nada. Para Kirsten e os outros membros da Sinfonia, a arte é tudo que eles têm.

O livro também acompanha os mais diversos pontos de vistas além do Kirsten, como Arthur, seu melhor amigo e Jeevan, um jornalista que é o primeiro a descobrir sobre a gripe e como o livro vai e volta no tempo, e cobre o período antes da gripe e pós-gripe, é possível que o leitor tenha acesso a história de todos esses personagens.

Conhecemos, por exemplo, quase a vida inteira de Arthur, como ele começou a atuar e como conheceu Miranda, uma de suas esposas, mesmo que ele tenha morrido logo no começo da epidemia de gripe e logo nas primeiras páginas do livro.

Os personagens também se relacionam entre si, Kirsten atuava com Arthur quando ele morreu repentinamente no palco e Jeevan estava assistindo à peça naquela noite e até tentou salvar o ator. Além disso, outras relações que são mais misteriosas e que definem pontos importantes do livro, são apresentadas ao longo da trama.

O suposto profeta, que aparece no meio do livro, também é interessante. Parece natural que as pessoas recorram a esse tipo de ajuda em situações desesperadoras, e o profeta, assim como a sua seita soam realistas e podem facilmente se comparar com seitas que existiram na vida real.

Estação Onze tem uma premissa bem interessante e que o diferencia de outros livros do gênero, mas a execução não é tão bem-feita assim. Embora ele guarde diversos dos seus segredos de maneira eficiente e consiga enganar o leitor durante bastante tempo, o livro é um pouco cansativo.

Muitos dos momentos apresentados no livro acompanham Kirsten andando por aí com a Sinfonia e isso pode ser um pouco tedioso. É verdade que a maioria dos livros pós-  apocalíptico consistem basicamente de pessoas andando de um lugar para o outro, em busca de algo melhor, mas geralmente eles são recheados com intrigas, mortes e outras questões. Não é tanto o que acontece em Estação Onze, uma vez que a Sinfonia não parece estar correndo perigo de vida diretamente e que os lugares onde eles se apresentam na maioria das vezes, os recebem muito bem.

É claro que o livro tem boas intenções, e uma perspectiva do fim do mundo completamente nova, mas só isso não é suficiente para segurar a atenção do leitor até o final.

Título no Brasil: Estação Onze

Título original: Station Eleven

Autor: Emily St. John Mandel

Gênero: Drama, Aventura

Ano de lançamento: 2014

Editora: Intrínseca

Número de Páginas: 320

 

Foto: Fernanda Cavalcanti

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s