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The Killing, David Hewson

“Ela teve um arrepio ao ouvir aquela frase temível e enganosa. Desprezava-a com todas as suas forças. Ninguém segue em frente. Apenas engolimos a dor. Esperamos conseguir enterra-la. Mas ela continua a viver conosco. Para sempre. Uma cruz que é preciso suportar. Um pesadelo constante e recorrente”.

O corpo de uma jovem mulher, brutalmente assassinada é encontrado na Floresta de Pentecostes, perto de Copenhague. A polícia rapidamente começa a investigar para descobrir quem é a moça e acaba chegando ao nome de Nanna Birk Larsen.

Nanna é uma jovem estudante exemplar, querida pelos amigos, amada pela família e com nenhum problema aparente, o que deixa a detetive Sarah Lund, responsável pela investigação, em um beco sem saída.

Conforme Sarah, que deseja resolver o caso o mais rápido possível, porque vai mudar de cidade em poucos dias, se embrenha mais na investigação do caso, mais ela percebe que Nanna, na verdade, tinha muitos segredos a esconder.

The Killing é inspirado na série de televisão de mesmo nome e que mais tarde, ganhou uma versão americana. Esse é o principal aspecto que marca The Killing. O fato do livro ter sido inspirado em uma série de tv, faz com o livro soe um pouco roteirizado, em muitos momentos, embora o autor tente nos dar mais descrições parece que estamos lendo um roteiro.

Para quem está esperando ler um livro com prosa e com mais detalhes, isso é um problema, já que o roteiro é bem mais simplificado, e não aborda os pensamentos e as sensações dos personagens e a impressão que se tem é que o autor foi um pouco preguiçoso. Não que seja impossível transformar um roteiro em um livro, é possível fazer se o autor estiver disposto a explorar mais os personagens, uma vez que em uma obra audiovisual se tem bem menos tempo do que em um romance. Mas isso não é o que acontece em The Killing, parece que David Hewson apenas deu uma lida no roteiro da série e rescreveu usando palavras menos cinematográficas.

Como a série, que tem naturalmente mais facilidade, o livro fala de diversos personagens diferentes e inclusive, narra dos seus pontos de vistas. Em determinado momento, estamos junto com Sarah, em outros, do seu parceiro, em outros da mãe ou do pai de Nanna e em outros dos políticos da cidade que estão prestes a concorrer uma eleição.

As mudanças de ponto de vista são muito bruscas, e são sinalizadas apenas com uma mudança de parágrafo e algumas linhas em branco, o que pode fazer com que o leitor demore a entender quem é o personagem que está sendo mostrado naquele momento.

A trama, por outro lado, é muito interessante, embora seja um pouco clássica. Muito do que está The Killing lembra alguns aspectos de Twin Peaks, afinal, as duas séries tem adolescentes assassinadas de maneira extremamente misteriosa, corpos encontrados na água, e reputações que não permitem sequer a ideia de assassinato. A desenvoltura das duas obras, no entanto, são bem diferentes.

The Killing não nos apresenta Nanna, mas vamos conhecendo a garota ao longo do livro e a partir do que os outros personagens vão contando, é interessante que cada pessoa dê uma versão diferente dela, o que já nos mostra que ela interpretava personas diferentes e que ela escondia segredos. Para seus pais, Nanna era um anjo, que não fazia nada de errado e que não tinha nenhum defeito, muito menos algum inimigo, já o seu ex-namorado, não tem tantos elogios para Nanna assim e sua melhor amiga, claramente esconde informações da polícia.

O livro também acrescenta os políticos, que também acabam se tornando suspeitos ao longo da trama. Outra coisa que acontece é que a investigação vai se tornando cada vez maior e mais complicada e consequentemente, envolvendo cada vez mais pessoas, ao longo do tempo, então, não são só os segredos de Nanna que acabam sendo expostos, mas basicamente os de todos os personagens.

The Killing não poupa ninguém, até Sarah tem sua vida esmiuçada, uma vez que acompanhamos sua mudança e seu relacionamento, que está em crise. Nesse aspecto, The Killing é muito interessante, mas ainda tem aquele aspecto de série, que consegue acompanhar diversos personagens em diversos momentos diferentes.

Também fica muito claro que houve muito trabalho e muito empenho para ligar a trama toda, o assassinato de Nanna faz parte de mistério intrincado, e que é muito criativo e certamente vai agradar os fãs do gênero.

O livro demora um pouco para engatar, talvez porque tenha essa linguagem que beira ao cinematográfico, o que faz com que seja difícil se conectar com os personagens. Nós sentimos próximos de Nanna, embora ela já esteja morta quando o livro começa, porque passamos páginas e páginas lendo sobre ela e de Sarah, porque ela é o que está mais próximo de uma protagonista. Como ele é um livro longo, sua leitura é demorada e lenta.

Como acompanhamos uma série de personagens, que tem nomes incomuns para o leitor brasileiro, também é fácil se confundir e se perder, por isso, é preciso estar sempre atento durante a leitura.

O livro certamente tem uma boa trama e um grande cuidado em relação aos seus mistérios, mas a linguagem que é muito roteirizada estraga um pouco do resultado final.

Título no Brasil: The Killing

Título original: The Killing

Autor: David Hewson

Gênero: Suspense, Policial

Ano de lançamento: 2012

Editora: Record

Número de Páginas: 770

Foto: Fernanda Cavalcanti

 

 

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