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Colmeia, Gil Hornby

“Eles haviam embarcado na jornada da vida em família juntos. Então, o que aconteceu? Chris enxergou outra pessoa pelo para-brisa, atirou Rachel para fora do carro em movimento, mudou de rumo e seguiu em outra direção, sozinho. Seria mesmo assim tão fácil? Não era uma história incomum, claro. Nem era incomum que o pai ou a mãe que abandonou o barco achasse que no fim das contas não tinha espaço para os filhos no banco de trás. Não era incomum, mas era deprimente. Definitivamente deprimente. Que o homem que ela escolheu pudesse passar da preocupação, com o arroz do bebê a um ‘preciso trabalhar no sab. Foi mal’ em menos de uma década. Que ele um dia tivesse se preocupado tanto com o desenvolvimento dos órgãos internos daquela barriguinha, só para que no fim acabasse arrancando fora seu coraçãozinho e, com um enorme porrete, simplesmente o esmagasse, semana após semana…”

Rachel é uma mulher recém divorciada e mãe de dois filhos que precisa lidar com as questões que circundam a escola das crianças, isso porque as mães dos alunos se comportam como adolescentes que não saíram do ensino médio. Todas elas obedecem a Bea, uma mulher bonita e com um casamento aparentemente perfeito, que tem altiva participação nos eventos dentro e fora da escola.

Rachel tenta se manter afastada, mas sempre foi amiga de Bea e por isso, acaba sendo arrastada para os planos da amiga, isso até o ano letivo que está começando, quando ela começa a sentir que foi jogada de lado e substituída. Heather é outra mãe que vive circulando Bea e tentando ajudar nas preparações dos eventos, mas é rechaçada e sempre recebe atividades inúteis.

Tudo muda quando Bubba, a mãe de um novo aluno, chega a escola. Ela é tão bonita quanto Bea e está sempre disposta a ajudar, tanto que se propõe a fazer um baile de inverno na sua casa, e quando um novo diretor, que não conhece a dinâmica das mães, começa a trabalhar na escola.

A trama de Colmeia é bem interessante, e aborda personagens que nem sempre são abordados em livros. As mães que são extremamente participativas e que quase querem fazer parte das aulas pelos seus filhos, e algumas que não tem tanta paciência para isso assim. O livro apresenta um número enorme de personagens, com personalidades diferentes que são bem construídas.

Rachel, por exemplo, é uma mulher que já foi mais participativa, mas que estão tão envolvida nos problemas de seu divórcio, que esse ano prefere ficar um pouco de fora, já Bea é o seu exato oposto, ela quer ser a líder de tudo e comandar todos o tempo todo. O interessante é que as mulheres, que são adultas, se comportam como adolescentes e Bea reina absoluta mais uma menos como uma Queen Bee, personagem famosa de filmes adolescentes americanos, e ainda tem poder para determinar qual mãe é “legal” e qual não é.

O livro inteiro se desenvolve nesse esquema, o grupo resolve fazer alguma coisa e decide quem vai ser responsável pelo o que, e então, o leitor acompanha o tal evento acontecer, até que Bubba aparece. Ela, assim como Bea, parece disposta a tomar as rédeas de tudo e em alguns casos ela consegue, em outros, ela se sai muito mal.

Alguns dos eventos são interessantes e divertidos de acompanhar, mas depois de um tempo, tudo acaba ficando um pouco cansativo. Acho que um pouco dessa sensação se dá porque o livro fala sobre mulheres adultas que agem como adolescentes e tudo soa como um Gossip Girl de adultas.

Colmeia aborda outros temas além das relações entre as mães, como o divórcio de Rachel e a sensação que ela tem que Chris, seu ex-marido, largou não apenas ela, mas também os filhos dos dois, o que automaticamente aumenta o trabalho e a responsabilidade de Rachel, a relação de Rachel com seus pais e até bullying. O divórcio é o tema que mais ganha visibilidade, já que o bullying aparece de maneira bem sutil, não só entre as mães, mas entre seus filhos, que repetem o comportamento dos pais, e a relação de Rachel com seus pais parece surgir apenas em momentos estratégicos, como para mostrar que a mãe dela cria abelhas, o que de certa maneira dá uma liga ao livro todo.

As abelhas, aliais, são um ponto interessante da trama. O livro se chama Colmeia e as suas personagens se comportam como abelhas em uma colmeia, obedecendo a sua rainha. Bea é obviamente a rainha, inclusive o termo “Queen Bee”, usado para descrever meninas que são muito populares no colégio e tem o poder e a habilidade de ter influência sob as outras também vem do mundo das abelhas. Bea, apelido de Beatrice, soa como “bee”, “abelha” em inglês e claro, a mãe de Rachel cuida de abelhas e é capaz de explicar para ela como as abelhas se comportam, o que ela automaticamente relaciona com a maneira com que suas amigas se comportam. Fica claro que a autora pensou bastante nisso e o trabalho dela deve ser reconhecido, mas em uma leitura mais profunda, isso fica um tanto quanto obvio e meio repetitivo.

Um ponto positivo do livro é que ele é repleto de personagens femininas e que nós acompanhamos a história, basicamente da visão delas. Os homens aparecem muito pouco e em papeis bem secundários, Colmeia é uma trama que se desenvolve principalmente no universo feminino.

Essas personagens também são bem construídas, e tem cada uma uma personalidade diferente, o que é ótimo. Colmeia também se preocupa em mostrar muito da vida particular de cada uma, com suas famílias, maridos e filhos, o que mostra um grande trabalho por parte da autora.

Colmeia é um livro divertido e funciona muito bem como um entretenimento, eu não diria que ele é um livro juvenil, embora apresente personagens que se portam como mais jovens e que trate de temas que geralmente agradam o público mais jovem, porque o livro trata de temas adultos, mas também não diria que é um livro memorável, que vai ficar para sempre na memória de quem o ler.

Colmeia começa interessante, mas vai se tornando um pouco repetitivo com o tempo, no entanto, tem seus pontos positivos e pode divertir o leitor.

Título no Brasil: Colmeia

Título original: The Hive

Autora: Gil Hornby

Gênero: Comédia

Ano de lançamento: 2013

Editora: Record

Número de Páginas: 350

 

Fotos: Fernanda Cavalcanti

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