Adaptações, filmes

Filme: A Cor que Caiu do Espaço, 2019

Nathan Gardner (Nicholas Cage) e a sua família se mudam para uma fazenda na Nova Inglaterra. Enquanto a família se acostuma com a nova vida, um meteorito cai no quintal da frente da casa, e acaba alterando toda a rotina do lugar, infectando tudo que ele toca e exalando uma cor sobrenatural que ninguém consegue definir muito bem qual é.

Logo a família percebe que a cor está alterando inclusive, o comportamento de cada um deles.

A Cor que Caiu do Espaço é inspirado no conto de mesmo nome de H. P. Lovecraft (em algumas edições, o conto aparece como A Cor que Caiu do Céu).

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Não existe qualquer dúvida de que Lovrecraft foi – e ainda é – um dos maiores escritores de terror de todos os tempos, e A Cor que Caiu do Espaço é provavelmente um dos seus melhores contos, então é natural que suas histórias sejam sempre adaptadas, renovadas, modernizadas e reaproveitadas.

Esse A Cor que Caiu do Espaço é a adaptação mais recente da obra do autor e escolhe trazer a trama para os dias de hoje. Existem vantagens e desvantagens em se fazer isso, no original, que se passa em um tempo mais remoto, sem internet, televisão ou tecnologia, parece natural que a família não saiba muito bem o que fazer e nem sai da sua fazenda, que também é sua única propriedade, quando começa a notar que tem algo bem estranho acontecendo ali.

Já nessa adaptação acompanhamos Nathan, a esposa, Theresa (Joely Richardson) e seus três filhos, Benny (Brendan Meyer), Lavinia (Madeleine Arthur) e Jack (Julian Hilliard), que resolveram ir viver em uma fazenda para fugir das questões que assombram a grande cidade. No entanto, mesmo vivendo afastados, eles ainda têm acesso à tecnologia, as crianças por exemplo, estão sempre coladas em seus celulares, o que facilitaria muito na hora de buscar ajuda quando as coisas começam a acontecer, pelo menos no começo, porque mais tarde, o fenômeno também passa a interferir na tecnologia também.

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Além do mais, os Gardners parecem ser uma família de classe média alta, o que daria a eles a liberdade de simplesmente largar uma fazenda que está claramente amaldiçoada, luxo que os personagens do conto não tinham.

Claro que como todas as obras ficcionais, A Cor que Caiu do Espaço exige uma certa suspensão de realidade, então, se o conteúdo é bom, geralmente o telespectador está disposto a passar por cima dessas pequenas questões, mas no caso desse filme, essas pequenas questões saltam aos olhos.

O conto de Lovecraft não tem tantas imagens assustadoras e nem tem muitas revelações medonhas, o que realmente segura a atenção do leitor do começo até o fim e que transforma o conto em um dos melhores do gênero é a atmosfera que ele tem. Lovecraft construí um clima de tensão e de paranoia, que deixa não só a família, como também o leitor alerta e a espera de que algo terrível vá acontecer, ao mesmo tempo que está completamente seduzido por essa cor misteriosa e sem definição.

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O filme não tem esse clima, ele, em muitos aspectos, se parece com qualquer filme de terror dos dias de hoje, o que difere muito das obras de Lovecraft, que são muito características, e não passa essa sensação de agonia ou aflição.

A cor não é misteriosa – se aproxima muito de um roxo – e ao invés do diretor Richard Stanley guardar essa surpresa até o final, ele já revela logo no começo, jogando a cor pela casa toda no momento em que o meteorito cai na terra, o telespectador então, já sabe como é a cor e que ela não tem nada de tão incrível, mesmo que os personagens do filme digam que tem.

O filme também não explora muito bem a família e nem as relações entre eles, os Gardners são uma família como outra qualquer, o casal se dá bem, os adolescentes estão entediados e malcriados, como todos os outros adolescentes do mundo, e não ganham nenhuma questão maior que poderia ser explorada em frente ao terror, o menino mais novo, então, parece só estar lá para fechar a trindade dos filhos.

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Por fim, quando a cor começa a afetar a família, somos apresentados a uma série de momentos assustadores, que usam de muitos efeitos, e que podem certamente assustar, mas que de certa forma, seriam mais interessantes se estivessem em um esquema mais próximo do terror psicológico, como acontece no conto de Lovecraft, que não nos mostra muita coisa, mas deixa bastante para a imaginação.

O elenco do filme também parece não combinar muito com a proposta, e nem apresenta atuações que se destaquem. Joely Richardson, que é uma boa atriz, está meio apagada, as crianças têm pouco espaço de filme e Nicolas Cage, interpreta o mesmo papel de sempre.

A Cor que Caiu do Espaço tenta modernizar um clássico de H.P. Lovecraft e embora tenha boas intenções, erra na mão e apresenta uma tentativa de terror blockbuster para uma trama que se sairia muito melhor no subjetivo.

Título no Brasil: A Cor que Caiu do Espaço

Título original: Color Out of Space

Direção: Richard Stanley (I)

Gênero: Ficção cientifica, terror

Nacionalidade: EUA, Malásia, Portugal

Ano: 2019

Duração: 1h41min

Elenco: Nicolas Cage, Joely Richardson, Madeleine Arthur, Q’orianka Kilcher, Tommy Chong

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