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Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Ambientado em uma América futurística inespecífica, Fahrenheit 451 acompanha Guy Montag, um “bombeiro” que acredita que está fazendo o seu trabalho da melhor maneira possível.

Isso porque na sociedade em que Montag vive, os livros são proibidos e as pessoas que os tem são consideradas criminosas. A função dos “bombeiros” então é justamente queimar os poucos livros que ainda existem.

Tudo muda quando Montag começa a conversar com a sua vizinha Clarisse, uma jovem que pensa diferente do protagonista e que faz com que ele, pela primeira vez, tenha interesse pelos livros.

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A origem de Fahrenheit 451

O livro Fahrenheit 451 foi publicado em 1953, mas antes disso a trama tinha sido pensada como um conto, escrito em 1947 e batizado de Bright Phoenix. O conto só foi publicado em 1963.

Depois, Bradbury transformou seu conto em uma novela, chamada The Fireman, que foi publicada em capítulos pela Playboy e na integra pela revista Galaxy Science Fiction, em 51.

Só então, Bradbury transformou sua trama em Fahrenheit 451. Existe muita especulação sobre qual é o assunto que o autor quis tratar no livro e qual é a crítica que está sendo feita, e justamente por isso, existem diversas interpretações do livro.

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Mas o segundo o próprio autor, o livro é sobre o efeito da televisão no aprendizado e como ela destrói o interesse pela leitura.

Censura

Sendo ou não a intenção de Bradbury, Fahrenheit 451 tem uma forte mensagem anti- censura. O livro retrata um governo autoritário, que repudia todo tipo de conhecimento e individualidade, o pensamento próprio é extremamente desencorajado e reprimido e isso se manifesta na queima de livros.

A ideia de Bradbury também era falar do seu amor pelos livros e pela literatura e Fahrenheit 451 funciona muito bem nesse sentido, porque subentende-se que quem está lendo o livro é tão apaixonado por literatura quanto o autor (ou gosta pelo menos um pouquinho de ler), então, é natural que o leitor comece a pensar o que ele próprio faria se estivesse exposto a um mundo sem literatura e sem conhecimento.

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O livro também nos remete a casos que de fato aconteceram, como a censura de diversos livros, em diversas partes do mundo, a queima de livros na Alemanha nazista e até a censura durante o período militar, aqui no Brasil. Bradbury disse mais tarde que o livro poderia falar de qualquer ditadura, em qualquer lugar, com qualquer ideologia, seja de esquerda ou de direita.

Literatura

Mas a ideia de Bradbury ainda se sobressai, Fahrenheit 451 é uma verdadeira declaração de amor aos livros e a literatura e acompanhamos tudo isso do ponto de vista de Montag, um homem que queima livros e acha que está correto.

Montag é nascido e criado em uma sociedade que repele e reprime todo o conhecimento, portanto, ele cresceu acreditando em tudo que foi dito para ele desde pequeno. Já adulto ele é além de um cidadão modelo, alguém que participa diretamente das ações do governo sem questionar o porquê faz isso.

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Montag vive em uma casa repleta de tecnologia, composta inclusive de muitos equipamentos que não existiam na época e que não existem até hoje, com uma esposa, que é obcecada por televisão e por compras. Ele não se acha infeliz, porque ele nem consegue conceber a vida de outra maneira.

Até o dia que ele conhece Clarisse. Clarisse é o exato oposto de Mildred, a esposa de Montag. Ela é bem mais jovem, não gosta de tecnologia e valoriza o conhecimento. Quando Montag começa a passar mais tempo com Clarisse, ele também começa a descobrir que existe muito mais na vida do que queimar livros e assistir televisão.

Eventualmente Montag passa a se questionar sobre as políticas do governo e se perguntar o que tem nos livros que faz com que as pessoas ou queiram destruí-los ou queiram protege-los com suas vidas. A descoberta de Montag, embora em circunstâncias mais sérias, não é muito diferente da descoberta de qualquer pessoa que começa a se aventurar pelos livros.

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Fahrenheit 451 na mídia

Fahrenheit 451 é lembrado, ainda nos dias de hoje, como uma das distopias que fizeram pequenas previsões do futuro, como 1984 e Admirável Mundo Novo. Isso porque alguns dos aparelhos eletrônicos que aparecem no livro, de fato foram criados depois.

A obra de Bradbury virou referência para as distopias que vieram depois dela e já foi citada em séries, filmes, musicas, animes e jogos. Fahrenheit 451 também virou filme.

O primeiro filme inspirado no livro é de 1966, é foi dirigido por François Truffaut. Ele é estrelado por Oskar Werner e Julie Christie – que interpreta tanto Clarisse, quando Mildred – e é bem fiel a obra original.

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Já o segundo filme inspirado no livro é de 2018 e tem no seu elenco Michael B. Jordan, Michael Shannon e Sofia Boutella. Embora ele traga ideias interessantes, como escalar um ator negro para interpretar Montag, que não tem nenhuma descrição física no livro, mas que nunca tinha sido interpretado por um ator não branco antes, não é muito fiel ao livro e é um filme inferior ao de Truffaut.

Independente da ideia original de Bradbury, Fahrenheit 451 tomou proporções muito maiores do que seu autor imaginou e de uma maneira ou de outra, se comunica com leitores do mundo todo, além de ser um livro cada vez mais atual.

Título no Brasil: Fahrenheit 451

Título original: Fahrenheit 451

Autor: Ray Bradbury

Tradutor: Cid Knipel

Gênero: Ficção cientifica, distopia

Ano de lançamento: 1953

Editora: Biblioteca Azul

Número de Páginas: 216

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