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Filha da Fortuna, Isabel Allende

“É aborrecido ser homem, mas ser mulher é um aborrecimento ainda maior”

Eliza Sommers foi abandonada ainda bebê na casa de uma família inglesa, que vivia no Chile. Os donos da casa, um casal de irmãos, resolvem cria-la e a menina cresce com todos os luxos possíveis.

Já adolescente, Eliza se apaixona por Joaquín Andieta, um dos empregados do tio, que presta serviço na casa, os dois se entregam a um caso tórrido e apaixonado, até que Joaquin, contaminado pela febre do ouro, resolve partir para a Califórnia na expectativa de ficar rico.

Ele promete voltar e se casar com Eliza, mas ela resolve não esperá-lo e vai atrás do amante por conta própria. Eliza consegue entrar como clandestina em um navio, onde viaja no porão e quando fica terrivelmente doente, conhece Tao Chi’e, um médico chinês, que passa a ajudá-la a partir daí.

Filha da Fortuna é claramente um trabalho de Isabel Allende, qualquer pessoa que tenha lido outros livros da autora, pode reconhecer vários aspectos típicos de sua obra.

O livro apresenta um acontecimento histórico e influente, que é a busca por ouro na Califórnia e coloca as histórias de seus personagens intricadas a isso.

A protagonista de Filha da Fortuna é Eliza, que foi deixada ainda bebê na casa de uma família inglesa que vivia no Chile e foi acolhida e criada por eles. Eliza então, passou de um bebê abandonado a uma moça distinta da sociedade de quem se espera muita coisa.

No entanto, na adolescência, Eliza se apaixona por Joaquin, funcionário do seu tio, que é pobre e tem ideias ligeiramente utópicas, e começa uma relação proibida com ele. Quando Joaquin parte para a América, Eliza decide que não pode viver sem ele e parte atrás do amante. Passamos então, a acompanhar a viagem de Eliza, onde ela passa muito mal e depois a sua vida na Califórnia.

Filha da Fortuna é claramente dividido em três partes, – embora o livro não tenha nenhuma divisão oficial – a primeira parte em que Eliza é uma jovem vivendo sob a tutela dos irmãos que a criaram, a segunda parte que descreve os momentos de Eliza no navio e a terceira parte, que fala sobre a vida de Eliza depois que ela chega na Califórnia.

As partes vão se tornando mais pesadas e mais adultas com o tempo e vão crescendo e amadurecendo, mais ou menos como Eliza. Quando ela está em casa, não passa por dificuldades e seu único problema é conseguir se encontrar com Joaquin, já no navio, ela passa por uma doença séria que quase a leva a morte, e na Califórnia, ela é obrigada a se preocupar com dinheiro, comida, trabalho e coisas que antes nem passavam pela sua cabeça.

Como Eliza é a protagonista de Filha da Fortuna é bem interessante acompanhar seu crescimento e seu amadurecimento e Allende é muito boa em transmitir tudo isso através do texto.

Outro aspecto presente em Filha da Fortuna, que também está presente nos outros livros da autora, é a apresentação da história dos outros personagens. Então, ficamos sabendo detalhes da vida dos irmãos que criam Eliza, inclusive de coisas que aconteceram antes dela nascer, de Joaquin, de Tao Chi’em e de outros personagens menores. A sensação que se tem é que estamos lendo vários livros em um só, embora ainda exista uma ligação clara entre todos os fatos que Allende dispõe.

Existe uma preocupação enorme com as histórias que aconteceram antes da história de Eliza e que podem, em alguns casos, justificar e influenciar as coisas que acontecem no momento em que o livro se passa. A literatura de Allende parece ser muito baseada na ancestralidade, como se quisesse dizer que os atos de uma geração são capazes de influenciar os atos das próximas, como um grande efeito borboleta. Esse é um aspecto muito interessante das obras da autora.

Outro aspecto que parece comum nos livros de Allende é que eles são livros extremamente femininos, quase sempre narrados do ponto de vista das personagens femininas. Filha da Fortuna, por exemplo, tem como protagonista Eliza e boa parte do livro é visto do seu ponto de vista, entramos na mente de Joaquin e de Tao Chi’e, mas o livro ainda soa extremamente feminino. Talvez passe essa ideia porque ele fala de assuntos muito próximos as mulheres, como virgindade e o peso de perde-la ou guardá-la, maternidade, prostituição, aborto, casamentos arranjados e a ideia que se faz do que é uma “moça de família”.

A leitura também é muito fácil e muito rápida, o livro é grande, mas Allende escreve muito bem, e é muito prazeroso ler as aventuras e as desventuras de Eliza, justamente porque simpatizamos com ela – assim como simpatizamos com Joaquin e com Tao Chi’e -. Por isso é quase impossível colocar o livro de lado.

Filha da Fortuna é uma história clássica de Isabel Allende, ela traz personagens femininas, histórias que se cruzam e fatos históricos. O livro é um prato cheio para os fãs da autora, mas também tem grandes chances de agradar qualquer pessoa que esteja disposta a se envolver em uma história de amor, que na realidade é uma grande trama de amadurecimento e liberdade.

Título no Brasil: Filha da Fortuna

Título Original: Hija De La Fortuna

Autora: Isabel Allende

Tradutor: Mario Pontes

Gênero: Drama, romance

Ano de lançamento: 1998

Editora: Bertrand Brasil

Número de Páginas: 472

Foto: Fernanda Cavalcanti

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