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A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração, Noël Carroll

A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração é um livro técnico onde Noël Carroll explica a sua própria teoria sobre o gênero do terror e tenta entender porque as pessoas se sentem tão atraídas por produtos que causam medo, aflição e sustos.

A primeira coisa que é preciso dizer sobre o livro é que ele é um livro técnico, o que pode chatear algumas pessoas, no entanto, a escrita de Carroll não é chata, nem monótona.

Carroll pesquisou e criou sua própria teoria para explicar como o gênero do terror funciona e como ele atrai as pessoas, mesmo que no fundo ele seja um gênero que existe basicamente para assustar ou no mínimo enojar. A teoria de Carroll é interessante, ele aborda os diversos tipos de terror, inclusive dando exemplos de livros e filmes.

Como todo livro técnico, A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração pode se tornar um pouco repetitivo, Carroll precisa lembrar o leitor toda hora de coisas que ele falou no começo do livro, o que muitas vezes é muito útil, afinal, é difícil guardar muitas informações quando se faz uma leitura mais rápida. Mesmo assim, A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração não é tão repetitivo assim, o livro traz sempre novos assuntos à tona, que são muito interessantes.

O livro também não é assustador, lembrando que ele não é uma ficção de terror, portanto, nem teria sentindo que fosse. A escrita é quase procedural, com explicações e exemplos, seguidos da opinião de Carroll. Também é importante ressaltar que embora seja óbvio que Carroll entende muito do assunto e fez uma grande pesquisa, ele não é autoridade máxima e que ele mesmo deixa claro que o livro é o resultado da sua teoria e portanto, é possível que você leia o livro e discorde de algumas das coisas que ele diz, ou mesmo de tudo o que ele diz.

Mesmo assim, A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração é um trabalho interessante e claramente, bem feito. É sempre bom investigar um gênero – especialmente um que te interesse especificamente e que tem aspectos muito claros e muitos clássicos relacionados a ele – mais a fundo.

Por outro lado, o livro faz muito mais sentido para quem tem interesse pelo gênero do terror, ou quer escrever ou produzir terror de alguma maneira. Para quem não se interessa por nenhuma dessas questões, um livro técnico pode se tornar bem chato.

Carroll também dá exemplos de variadas mídias, ele fala mais de literatura e cinema, mas também usa exemplos em pinturas e em musicais, deixando claro que o terror pode funcionar em quase qualquer mídia. Outro ponto interessante é que ele cita autores antigos, como Lovecraft e Poe, e inclusive alguns menos conhecidos, e autores mais atuais, como Stephen King e Clive Barker. As citações além de ajudarem a gente a compreender sobre o que autor está falando, também são ótimas recomendações.

A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração foi publicado em 1990, e chegou a ser publicado aqui no Brasil, mas hoje em dia, é superdifícil achar o livro em português, a compra fica limitada a sebos e a preços exorbitantes, até em inglês, o livro sai relativamente caro, o que infelizmente diminui muito o alcance de A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração.

A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração tem uma escrita fácil e a leitura é rápida, especialmente se o leitor está interessado e conhece as obras que Carroll cita. Pode ser um pouco mais difícil para quem não conhece tanto sobre o tema, mas nem por isso, menos interessante.

Embora ele parece ser voltado a um público especifico, que quer estudar ou compreender o gênero do terror, A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração é um livro bem escrito, com um tema interessante e uma pesquisa obviamente cuidadosa e que pode atrair qualquer pessoa que queira conhecer mais sobre o assunto e certamente vai interessar quem já gosta ou estuda o tema.

Título no Brasil: A Filosofia do Horror ou os Paradoxos do Coração

Título original: The Philosophy of Horror, or Paradoxes of the Heart

Autora: Noël Carroll

Gênero: Não ficção, teoria, literatura

Ano de lançamento: 1990

Editora: Papirus

Número de Páginas: 269

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