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Uma Questão de Honra, Paul Burrell

Uma Questão de Honra fala sobre a vida da princesa Diana pelos olhos de seu mordomo, Paul Burrell.

O livro também é, indiretamente, uma biografia de Burrell. Narrado totalmente em primeira pessoa, ele começa justamente falando sobre o nascimento de Burrell, sua infância e adolescência. Tudo isso é descrito de maneira relativamente rápida, e funciona mais ou menos como um contexto, talvez na tentativa de explicar porque e como ele resolveu seguir carreira dentro do palácio.

Logo Burrell está trabalhando diretamente com a rainha, ele começa de baixo, mas acaba atraindo a atenção da soberana, que gosta dele e o acha competente e o chama para ser um dos seus assistentes pessoais. Uma Questão de Honra começa a ficar mais detalhado a partir desse momento, a principal atividade de Burrell é cuidar dos corgis da rainha, ele os leva para passear e junto com Elizabeth, dá comida para eles, mas ele tem uma posição privilegiada e pode dar detalhes sobre tudo que acontece na vida realeza e dos empregados deles.

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Burrell explica como funciona o palácio, como são as acomodações dos empregados e quais os trabalhos que cada um deve fazer. Os empregados da família real parecem trabalhar quase como uma máquina, tudo precisa funcionar para que as coisas deem certo.

Ele também acaba se tornando relativamente próximo de Elizabeth, com quem ele conversa com frequência e que ele descreve como uma boa chefe, que o tratava bem e que até aceitou quebrar o protocolo de que os funcionários do palácio não podiam casar entre si, quando ele e sua esposa, Maria se casaram.

Então, a princesa Diana entra em cena, ele a descreve como uma jovem elegante e simpática, que foi viver no castelo quando ainda estava noiva de Charles. Diferente de boa parte dos membros da família real, Diana gostava de passear na cozinha e de andar com os empregados, ela frequentemente convidada os serviçais para irem conversar no seu quarto e acaba ficando bem próxima de Burrell quando ele e outro empregado começam a levar lanches do McDonald’s para ela porque a achavam muito solitária.

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Quando Diana e Charles se casam, eles se mudam do palácio e Diane pede que Burrell e sua esposa Maria, que trabalhava como camareira do príncipe Philip, passem a trabalhar para ela e Charles. Burrell e Maria topam e a partir daí, o casal se torna cada vez mais amigo de Diane, tanto que quando ela e Charles se divorciam, Burrell e Maria continuam trabalhando para ela.

A perspectiva de Uma Questão de Honra sem dúvida é única, Burrell viveu o dia a dia de Diana por muito tempo e sustenta no seu livro que virou uma espécie de confidente da princesa. Ela lia cartas pessoais para ele, pedia conselhos, contava detalhes sobre sua vida e dependia dele para arrumar encontros fora do casamento. Mesmo que Burrell não tenha sido tão próximo de Diana quanto ele diz, ele ainda tem muita informação sobre a princesa e os que viviam a sua volta.

Muitas das coisas que ele conta parecem, a princípio, meio fantasiosas, como que os príncipes William e Harry brincavam com os filhos de Burrell e que todos costumavam fazer passeios pela cidade, mas o livro veio cheio de fotos que provam que as famílias saiam sim juntas. Por isso, no final, das contas, tudo leva a crer que Burrell de fato, dividiu muito da vida da princesa.

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Independente disso, sua devoção a Diana é clara e bem óbvia, ele fala por exemplo dos casos extraconjugais da princesa, mas não cita o nome de nenhum dos homens com quem ela teria se encontrado e deixa claro que eles só passaram a acontecer depois que Diana soube do caso de Charles com Camilla Parker Bowles e depois que ela descobriu que Camilla frequentava a casa do casal quando Diana não estava.

É justamente essa devoção de Burrell que faz o leitor duvidar de alguns dos fatos que estão no livro, porque o mordomo pinta Diana como uma princesa da Disney, sem defeitos, praticamente um anjo que foi colocado na terra para fazer o bem, enquanto pinta Charles como um sujeito arrogante, que era grosseiro com os empregados e ignorava a esposa.

Sem dúvida nenhuma que Diana tinha muitas qualidades, era caridosa e simpática, também parecia ser uma boa mãe e fez muito por muitas causas sociais, mas ela também era humana e como todos os humanos, tinha defeitos. O próprio Burrell narra cenas em que a princesa foi grossa com algum empregado, como por exemplo, quando a esposa de Burrell, Maria, desistiu do emprego porque queria passar mais tempo com os filhos e recebeu uma reclamação da princesa que a chamou de “ingrata” e passou meses sem sequer olhar na cara de Maria. A situação deixou Maria muito chateada, mas Burrell desculpa esse e qualquer outro erro de Diana com explicações como “ela estava nervosa na época”, “se sentia sozinha” ou “o divórcio tinha acabado de acontecer”.

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Já quando ele descreve Charles, as coisas são um pouco diferentes. Desde o começo ele diz que o príncipe sempre teve uma fama entre os empregados de ser “difícil de lidar” e que as reclamações de fato eram verdadeiras. Charles mal falava com Burrell e gostava de mandar memorandos do que ele queria ou precisava, ele também explodiu com o mordomo uma série de vezes, uma história que Burrell conta no livro, por exemplo, aconteceu quando o mordomo sem querer, confirmou para a princesa que Charles tinha saído para encontrar Camilla e Charles mais tarde, passou um tempo gritando e reclamando com Burrell.

A mesma questão que diz respeito a Diana, diz respeito a Charles, ele pode ter muitos defeitos, mas como ser humano, também tem qualidades e até pode ser plausível que ele trate os empregados com menos calor que Diana, talvez por sua criação, talvez por sua personalidade, mas Burrell retrata ele como vilão.

Burrell também desmente alguns dos boatos que surgiram sobre a vida de Diana e de seu casamento com Charles, como a ideia de que Charles só casou para despistar seu amor por Camilla ou que eles foram infelizes desde o primeiro dia. O mordomo garante que Charles e Diana se davam bem no começo, mas que o casamento foi se desgastando. Ele também acredita que Diana não iria se casar com Dodi Al-Fayed, seu namorado na época do acidente e que morreu com ela.

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A vida de Burrell é quase um conto de fadas, mesmo que ele tenha que lidar com os problemas pessoais e emocionais da princesa, até o acidente de Diana em 1997. As partes que ele fala sobre a morte de Diana e sobre como ele reagiu depois de tudo, são muito emocionantes e deixam claro a amizade e o amor que ele sentia por ela.

Uma Questão de Honra cobre o período depois da morte de Diana, quando a família não sabe muito bem o que fazer com Burrell e quando ele mesmo, se sente perdido, já que dedicou quase sua vida toda a servir aquela família. Mais tarde, os Spencers, a família de Diana, acusaram Burrell de roubar objetos da princesa, mas ele diz que tudo que ele tinha em casa que uma vez tinha pertencido a Diana ou a família real, tinha sido presente da princesa.

Certamente que o ponto de vista de Burrell é muito privilegiado e inovador, muitas coisas já foram ditas sobre a família real, mas Burrell viveu do lado deles por muito tempo e sabe detalhes da vida mundanas de alguns dele, mas o livro é um tanto quanto tendencioso e não é exatamente uma biografia de Diana.

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O livro de Burrell cobre o período da vida dela a partir do momento que ela fica noiva de Charles até a sua morte, ele faz alusões e referências a vida pregressa de Diana e sobre suas relações com os Spencer, mas de maneira muito superficial. Uma Questão de Honra é mais a história de Diana, mas de um ponto de vista bem especifico e bem pessoal.

A leitura é bem fácil, Burrell escreve bem e o livro flui. A trama também é interessante, porque o leitor está sempre na expectativa de ouvir um novo segredo da princesa. O livro também vem cheio de fotos, tanto pessoais de Burrell, quanto da princesa.

A família real britânica desperta um certo fascínio na população e por isso é natural que tudo que diga respeito a eles venda bastante, o livro de Burrell parece ser um desses casos. Uma Questão de Honra de fato, tem muita informação e pode ser uma leitura interessante, desde que se tenha em mente que aquele é o ponto de vista de uma pessoa e não a verdade absoluta.

Título no Brasil: Uma Questão de Honra

Título original: A Royal Duty

Autor: Paul Burrell

Tradução: Eliana Rocha, Ana Quirino, Marcos Maffei, Mário Vilela

Gênero: Biografia

Ano de lançamento: 2001

Editora: Ediouro

Número de Páginas: 412

Fotos: Fernanda Cavalcanti

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