Adaptações, filmes

Filme: Rebecca – A Mulher Inesquecível, 2020

Uma jovem (Lily James) de origem humilde trabalha para uma mulher rica (Ann Dowd). Quando as duas passam um tempo em um hotel, ela conhece Maxim de Winter (Armie Hammer), um viúvo rico, que também está hospedado no local.

Maxim se apaixona pela jovem e os dois resolvem se casar. Depois do casamento, eles retornam para a mansão de Maxim, Manderley. Uma vez lá, a jovem tem dificuldade de se adaptar a sua nova vida e mais ainda de conviver com a governanta, Sra. Danvers (Kristin Scott Thomas).

Além disso, ela sente o tempo todo a presença da falecida esposa de Maxim, Rebecca, seja no que os empregados da casa comentam, seja na maneira com que a família do marido a trata, ou mesmo na própria casa.

Ela começa, pouco a pouco, a sucumbir, ao mesmo tempo que tenta entender o que aconteceu com a primeira Sra. de Winter.

Rebecca – A Mulher Inesquecível é inspirado no livro Rebecca: A Mulher Inesquecível, de Daphne du Maurier e é um remake do filme de mesmo nome, de Alfred Hitchcock.

O romance

Rebecca – A Mulher Inesquecível começa como uma história de amor. A protagonista – que não tem nome próprio e só depois do casamento passa a ser chamada de Sra. de Winter – é uma jovem de origem humilde, que trabalha como uma espécie de criada para uma mulher rica. As duas viajam juntas e em uma dessas ocasiões, ela conhece Maxim de Winter.

Maxim de Winter é um viúvo rico, que está viajando pela primeira vez desde que sua esposa, Rebecca, faleceu. Sabe-se desde o começo que Maxim era devotamente apaixonado por Rebecca e que sua morte foi devastadora para o homem.

Isso não o impede, no entanto, de se apaixonar pela protagonista. Os dois começam a se ver quase que diariamente, escondidos de todos, e logo iniciam um namoro, que mais tarde, vira um casamento.

O romance é relativamente importante na trama de Rebecca: A Mulher Inesquecível, afinal, é assim que a história da protagonista e de Max de Winter começa, e também é dessa maneira que conseguimos entender a diferença entre o clima de contos de fadas que acompanha o namoro e o começo do casamento dos dois, e o clima de suspense que surge depois que eles se mudam para Manderlay.

Nesse aspecto, o longa se sai muito bem. Fica claro que os dois estão apaixonados e que aquela é uma paixão quase avassaladora, que nenhum deles consegue interromper. No entanto, perde-se muito tempo com isso. Rebecca: A Mulher Inesquecível é principalmente uma trama de suspense, mas aqui até a metade do filme, o telespectador ainda está acompanhando o romance açucarado de Maxim e da futura Sra. de Winter.

Parece um tanto óbvio que quem se interessa por assistir Rebecca – A Mulher Inesquecível, está procurando assistir um suspense e não um romance meloso. O suspense por assim dizer, só começa mesmo na segunda parte do filme, quando o casal volta a mansão de Maxim e mesmo assim, demora a acontecer.

Uma versão moderna 

A grande ideia dessa versão de Rebecca: A Mulher Inesquecível é dar uma modernizada tanto a obra original, quanto ao filme de 1940. O remake ainda se passa no passado, mas tem toques de modernidade.

Para começar, o filme, diferente do original, é colorido e o remake abusa dessa característica. As cores são fortes e exuberantes e os figurinos muito coloridos.

O filme também tem cortes mais rápidos, que combinam mais com os dias de hoje e que não se relacionam com o livro, que é lento e nem com o filme original, que também é mais parado. Rebecca – A Mulher Inesquecível tem 2h02min, mas o telespectador não fica com a sensação de que o filme é longo.

Rebecca – A Mulher Inesquecível é um filme pensado para os anos 2020 e por isso, é mais aberto em relação ao que ele mostra na tela, o romance de Maxim e da protagonista soa mais próximo dos dias de hoje e mais liberal em relação aos seus costumes, algo que não está presente na versão de Hitchcock. Isso também acontece porque o filme de 2020 parece bem mais preocupado em falar do romance dos protagonistas do que do suspense que ronda a trama.

Fica claro que a intenção é trazer Rebecca: A Mulher Inesquecível para os dias de hoje, e aproximar o público atual a trama de Daphne du Maurier, quase como uma versão mais pop e colorida do filme original, no entanto, o remake não faz jus nem ao livro, nem ao filme da década de 40.

Aspectos técnicos

Rebecca – A Mulher Inesquecível é um filme com uma grande produção e ela é impecável. O filme é repleto de paisagens bonitas, boa fotografia e figurinos exuberantes e coloridos. A cor é outro aspecto que é muito bem aproveitado nessa versão.

Enquanto tudo que acontece na primeira parte do filme, quando a Sra. de Winter ainda acha que sua vida virou um conto de fadas, tem a fotografia clara e iluminada, o que acontece em Manderley, a mansão assombrada por Rebecca, tem a fotografia escura e as cenas muitas vezes são difíceis de distinguir.

O figurino da Sra. de Winter também muda de acordo com sua personalidade. No começo, como não podia deixar de ser, suas roupas são simples e humildes, seu cabelo, embora arrumado, parece descuidado, quando ela se casa e automaticamente se torna uma mulher rica, ela também fica mais elegante. Claro que conforme ela vai sucumbindo a casa e a presença de Rebecca, isso também se reflete na sua aparência. Por outro lado, em determinado momento do filme, quando a Sra. de Winter começa a se sentir segura e enfrentar seus medos, ela atinge o auge e isso aparece no seu figurino.

O elenco também é bem escolhido e se sai bem. Lily James é uma boa escolha para o papel da protagonista e a atriz consegue passar por todas as fases da Sra. de Winter, sendo capaz de transmitir a loucura que vai se apoderando dela aos poucos. Armie Hammer também está bem como Maxim, embora ele apareça menos do que James.

Kristin Scott Thomas se sai muito bem no papel da governanta, ela não só é a escolha perfeita para o papel, como também sabe ser ameaçadora quando precisa e se torna a personagem mais assustadora de Rebecca – A Mulher Inesquecível. Sam Riley, que interpreta o primo de Rebecca, tem um papel pequeno, mas também está bem no filme.

A questão com Rebecca – A Mulher Inesquecível não tem qualquer relação com a sua parte técnica, que é de fato, impecável, mas sim com o seu roteiro. Não é que o filme seja propriamente ruim, ele não é, é só que ele perde tempo demais com coisas que não são tão necessárias, enquanto dá pouco espaço para o que realmente é.

Uma vez que o filme de 1940 é muito bom e é bem fiel ao livro – embora o remake também seja – o telespectador termina Rebecca – A Mulher Inesquecível se perguntando qual a necessidade do remake. O longa, por si só, não acrescenta muita coisa e soa como um desperdício, já que o original é melhor e não envelheceu mal.

Rebecca – A Mulher Inesquecível está disponível na Netflix.

Título no Brasil: Rebecca – A Mulher Inesquecível

Título original: Rebecca

Direção: Ben Wheatley

Gênero: Drama, Suspense, Romance

Nacionalidade: EUA

Ano: 2020

Duração: 2h02

Elenco: Lily James, Armie Hammer, Kristin Scott Thomas, Keeley Hawes, Sam Riley

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