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Horror Noire, Robin R. Means Coleman

“Aqui, o filme nos faz lembrar que humanos e monstros não são assim tão diferentes e, na verdade, podem ser a mesma coisa”

Horror Noire é uma pesquisa que contempla o cinema de terror dos anos 1890 até os dias de hoje. Robin R. Means Coleman se concentra em filmes como A Noite Dos Mortos-Vivos, O Mistério de Candyman, As Criaturas Atrás das Paredes, Blacula, O Vampiro Negro, entre outros e analisa como os negros são retratados e representados – ou não representados – nos filmes de terror.

A primeira coisa que precisa ser dita sobre Horror Noire é que ele não é um livro de ficção, ele é na realidade, uma tese que analisa o cinema de terror – principalmente o americano – e mais especificamente a representação negra dentro dele.

Coleman divide os filmes analisados entre “filmes com negros” e “filmes negros”. O primeiro são filmes que tem personagens negros, mas onde esses personagens servem a uma trama voltada para personagens e para o público branco, enquanto os filmes negros são filmes que não só tem personagens negros, como também contam histórias que dizem respeito a população negra e são voltados ao público negro, esses filmes geralmente, são escritos, dirigidos e produzidos por negros.

Além disso, Coleman também cita outros filmes que retratam os personagens negros como monstros, vilões, ou com características extremamente estereotipadas e ofensivas. Entre esses casos, por exemplo, ela cita o filme obviamente racista O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith. O longa de 1915, não só retrata a Ku Klux Klan como heróis, como também mostra todos os personagens negros – que aqui são interpretados por atores brancos com blackface – como assassinos, ladrões e estupradores.

Entre os filmes negros, Coleman cita filmes do período do Blaxploitation, um subgênero do cinema que narrava histórias de negros, com a maioria do elenco composta por atores negros e com produções de negros, como Blacula, O Vampiro Negro. Já entre os filmes com negros, Coleman fala de O Mistério de Candyman, onde a protagonista é branca e o grande vilão é um homem negro, que vive em um bairro majoritariamente negro e mais pobre, mas onde a trama é ligeiramente distorcida e modernizada.

O que é interessante na pesquisa de Coleman é justamente acompanhar a mudança que existe durante o tempo. Quando se lê o livro se percebe que o cinema retrata os negros como ameaça ou como motivos de piada durante muito tempo, até que passou a adicionar personagens negros com maior importância e nos anos 70, com o Blaxploitation, essa representação cresceu muito. Depois dos anos 70, no entanto, nota-se que não se evoluiu tanto. Infelizmente, Coleman não chega até os anos 2010, e não temos analises de grandes filmes negros, como Corra! e Nós.

Horror Noire é um livro com muita informação, tanto sobre o cinema, quanto sobre o gênero do terror, quanto em relação a evolução dos movimentos raciais e dos direitos dos negros e justamente por isso, a leitura é muito interessante.

Também é importante dizer que a leitura é muito tranquila e muito prazerosa, o livro é longo (464 páginas), mas não se sente, porque a escrita de Coleman é clara e compreensível e o assunto é muito intrigante.

Claro que Horror Noire pode agradar muito mais quem se interessa por cinema – e mais especificamente cinema de terror -, pelo gênero do terror ou pela representação dos negros no cinema e nas artes de maneira em geral, o que pode fazer parecer que o livro é restrito a esses públicos, mas não é. Embora esses sejam os públicos alvos, Horror Noire pode agradar qualquer pessoa, inclusive quem não gosta de terror, já que mesmo com as descrições que Coleman faz dos filmes, o livro não se torna assustador. O livro também tem alguns spoilers dos filmes analisados, o que claro, tem todo o sentido, já que é preciso estudar o filme do começo até o final.

A edição de Horror Noire é da DarkSide e como não podia ser diferente, é linda. O livro é de capa dura, o corte das folhas é preto, e vem com um marcador de fita. Na parte do conteúdo, a edição tem algumas fotos dos filmes citados e uma introdução que ajuda muito na leitura.

Horror Noire pode ser uma leitura voltada para um público bem especifico, mas pode agradar qualquer pessoa, uma vez que traz um tema não só interessante, mas que também precisa ser debatido a exaustão, até que as coisas mudem.

Título no Brasil: Horror Noire

Título original: Horror Noire

Autora: Robin R. Means Coleman

Tradução: Jim Anotsu

 Gênero: Cinema, Não- ficção, Ciências sociais

Ano de lançamento: 2011

Editora: DarkSide

Número de Páginas: 464

Fotos: Fernanda Cavalcanti

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