Crime real, livros

The Cases That Haunt Us, John E. Douglas e Mark Olshaker

“And of all the millions of horrendous crimes that have been commited over the years, certain criminal cases seem to have lives of their own. Despite the passage of time, they continue their hold on our collective imagination, and our collective fears”.

“E de todos os milhões de crimes horrendos que já foram cometidos ao longo dos anos, alguns casos parecem ter vida própria. Não obstante a passagem do tempo, eles continuam na nossa imaginação coletiva e nos nossos medos coletivos” –  Traduzido livremente por Fernanda Cavalcanti

Em The Cases That Haunt Us, John E. Douglas analisa sete casos que nunca foram desvendados ou que estão cercados de dúvidas.

A primeira coisa que se deve dizer sobre The Cases That Haunt Us é a identidade e a especialidade de John E. Douglas, um dos autores do livro. Douglas foi um agente do FBI, e foi um dos primeiros a estudar os perfis criminais, por isso, a opinião de Douglas é técnica e importante.

E é exatamente esse o sentido do livro. Em The Cases That Haunt Us, Douglas aborda casos muito famosos, que nunca foram desvendados, ou que foram desvendados, mas que ainda trazem à tona questionamentos, e analisa o perfil dos criminosos que poderiam ter cometido aqueles crimes. Como alguns dos casos, tem suspeitos, ele também analisa o perfil dessas pessoas e as relaciona com os crimes.

No livro ele fala de casos como Jack, o Estripador, A Dália Negra, O Zodíaco, o sequestro do bebê Lindebergh, entre outros.

O conteúdo de The Cases That Haunt Us é muito interessante. Fica claro que Douglas tem muito conhecimento e ele analisa os casos nos menores detalhes. A maneira com que ele leva o leitor a entender os perfis psicológicos e a forma com que essa técnica funciona é muito bem-feita e embora, o livro provavelmente funcione melhor com alguém que já se interessa pelo assunto e que já conhece um pouco, ele é compreensível para qualquer pessoa.

Douglas também explica um pouco de cada caso que ele retrata, o que é ótimo, para que o leitor também entre a fundo na história. A maioria dos casos abordados no livro são bem famosos e provavelmente já são do conhecimento de quem se interessa por crimes reais, mas é sempre bom ter uma introdução. The Cases That Haunt Us também aborda alguns crimes que não são tão conhecidos, pelo menos aqui no Brasil.

The Cases That Haunt Us é um livro repleto de informação, mas é sempre bom lembrar que embora Douglas saiba muito de perfis criminais e possa falar bastante sobre o assunto, boa parte do que ele apresenta aqui são especulações. O autor não foi investigador de nenhum desses casos – alguns deles são tão antigos, que Douglas não era nem nascido – e em alguns casos, nem teve acesso a provas e evidencias, então, o que ele apresenta no livro são suposições, provavelmente suposições bem realistas, mas ainda suposições.

Douglas também discute o caso de JonBenét Ramsey, assassinada em 1996, dentro da sua casa, mas essa é uma escolha um tanto quanto problemática, que faz com o leitor duvide do que ele fala. Douglas foi um dos especialistas contratados por John e Patsy Ramsey, pais de JonBenét e suspeitos do caso, para ajuda-los na sua defesa.

A parte que diz respeito a JonBenét soa extremamente pessoal. Douglas até insiste que não sabia quase nada do caso no começo e que só aceitou participar da defesa porque acreditou veemente na inocência dos Ramseys, no entanto, é difícil de comprar essa ideia. Os Ramseys eram uma família rica, que poderiam ter pagado bem para Douglas, uma vez que só a ideia de ter um especialista como ele defendendo o casal, poderia ser considerado um atestado de inocência.

Quem ler o livro com atenção vai notar que no capítulo de JonBenét, ele desmente algumas das suas próprias teorias das quais ele fala em outros capítulos, como por exemplo, no capítulo que Douglas fala sobre o sequestro do bebê Lindebergh, ele ressalta que depois que o resgate foi pago, o bebê foi encontrado morto, na estrada, como se tivesse sido jogado fora, porque para os sequestradores – ou sequestrador – o bebê só tinha utilidade quando vivo e quando o resgate ainda não tinha sido pago. O bebê não era visto como uma pessoa e sim como um objeto, já que os criminosos não tinham nenhuma ligação com o bebê. Já JonBenét, foi encontrada dentro da sua casa, coberta com seu cobertor favorito, ou seja, quem quer que tenha a matado e a desovado, teve cuidado com o corpo, porque claramente se importava com ela.

Mas Douglas argumenta que ela estar coberta pelo seu cobertor favorito não significa que ela foi morta por alguém que a conhecia e que invariavelmente se preocupava com ela, e sim, que a pessoa – um intruso, segundo Douglas – que a tirou a cama, pegou o primeiro cobertor que viu pela frente e a largou no porão. A maneira com que ele fala do caso Lindebergh, onde o descaso com o corpo do bebê é claro e chocante e a maneira com que ele fala do caso de JonBenét, que teve seu corpo colocado no porão de casa, coberto, por seu cobertor favorito, parece contraditório. Se segundo Douglas, uma pessoa desconhecida tem a tendência a tratar o corpo com descaso e a pessoa morta como objeto, porque o assassino de JonBenét, caso seja um intruso, não largou o corpo da menina em qualquer lugar da casa ou do lado de fora da casa, na neve, depois que fez o que queria? Porque ele teve o cuidado de cobrir o corpo da menina, se não se importava com ela?

Seria mais interessante se Douglas tivesse deixado o caso de JonBenét de fora, já que é de conhecimento de boa parte das pessoas que ele esteve envolvido na defesa dos pais da menina e que sua opinião parece influenciada, mesmo que ele de fato acredite na teoria do intruso.

De uma maneira geral, The Cases That Haunt Us é bem interessante e a leitura é rápida e fácil, claro que os assuntos que Douglas trata são pesados e tristes e que isso pode não agradar pessoas mais sensíveis. Como o autor analisa perfis, ele muitas vezes, precisa dar detalhes sobre a maneira que as pessoas morreram e sobre como os corpos foram achados e isso pode impressionar quem não está tão acostumado com esse tipo de literatura, mas a tendência é que The Cases That Haunt Us agrade todas as pessoas que se interessam por crimes reais, já que a técnica de perfil de criminosos de Douglas é, ainda hoje, uma das técnicas mais usadas e que mais funcionam.

Muito mais do que um livro que só se preocupa em mergulhar em tragédias e sangue, The Cases That Haunt Us apresenta uma técnica e explica ela para os seus leitores. Os perfis criminais são extremamente interessantes e informativos.

The Cases That Haunt Us é um prato cheio para quem se interessa por crimes reais e por criminologia, mas como é explicativo, pode chamar a atenção de qualquer pessoa que queira conhecer mais sobre o assunto.

Título original: The Cases That Haunt Us

Autor: John E. Douglas, Mark Olshaker

Gênero: Crime Real, Suspense, Não Ficção

Ano de lançamento: 2000

Editora: Pocket Books

Número de Páginas: 512

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