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Machenka, Vladimir Nabokov

“O quarto ás escuras estava agora muito silencioso. Nele reinava aquele silêncio especial, pesado e melancólico, que sempre se faz quando várias pessoas estão sentadas em torno de um enfermo sem dizer uma palavra”.

Lev Ganin é um jovem russo, que vive em uma pensão em Berlim. Enquanto acompanhamos o dia a dia de Lev e as pessoas que ele conhece, ele relembra o seu primeiro amor, Mary.

Para a surpresa de Levi, ele descobre que o marido de Mary está morando no quarto ao lado do seu.

O personagem principal de Machenka é Levi Ganin, um russo, que vive em Berlim, ele é um estrangeiro na Alemanha, que está conhecendo o lugar e é dessa maneira que o leitor entra na trama do livro: tão estrangeiro quanto Levi.

É através dele que também conhecemos Berlim e as pessoas que lá vivem.

Machenka se passa em uma pensão e retrata pessoas, que na teoria, não tem moradia fixa no local e, portanto, são tão estrangeiros quanto Levi e quanto o leitor.

O livro passa bastante tempo mostrando cada um desses moradores, com suas histórias pregressas e com suas peculiaridades e essa é a coisa mais interessante do livro. O leitor não só conhece Berlim pelos olhos desse protagonista, como também as pessoas que estão vivendo naquela pensão.

Nabokov consegue criar e explorar um mundo enorme quando apresenta essa série de personagens e fica clara a sua criatividade.

Além de sua vida atual em Berlim, Levi também relembra seu primeiro amor, Mary, de uma maneira que é quase obsessiva e que lembra bastante a relação de Humbert Humbert, protagonista de Lolita – livro mais famoso do autor – com o seu primeiro amor. Logo ele descobre que Mary não está tão longe assim, uma vez que o marido dela está hospedado no quarto ao lado ao de Levi e é aí que a obsessão de Levi fica ainda maior.

Machenka é um livro que cria um ambiente bem interessante, uma vez que tem basicamente um cenário, mas muito território para ser explorado. A vida de Levi é instigante e bem escrita, mas Nabokov nos dá uma série de outros personagens tão – ou até mais – instigantes e bem escritos do que o protagonista.

O livro também lembra Adeus a Berlim, de Christopher Isherwood, que também acompanha um estrangeiro vivendo em uma pensão em Berlim e fazendo anotações mentais sobre as pessoas que ele conhece lá e que vivem na mesma pensão que ele. Machenka, no entanto, foi escrito mais de dez anos antes do que Adeus a Berlim.

O livro é escrito de maneira bonita e é muito poético, não existe qualquer dúvida de que a escrita de Nabokov é primorosa, e o livro é bem curtinho, a leitura, no entanto, é um pouco lenta e arrastada. Não que Machenka seja difícil de ler, ele é um livro curto e é fácil se perder nas palavras do autor, mas a trama em si é um pouco parada, o que pode deixar o leitor aborrecido.

Machenka é o primeiro livro de Nabokov e é uma grande obra, embora não seja a obra prima do autor – que provavelmente é Lolita – fica claro o talento dele nas páginas do livro.

Título no Brasil: Machenka

Título Original: Mary

Autor: Vladimir Nabokov

Tradução: Jorio Dauster

Gênero: Clássico, Drama

Ano de lançamento: 1926

Editora: Companhia das Letras

Número de Páginas: 133

Foto: Fernanda Cavalcanti

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