Crime real, livros

Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel, Steve Hodel

“The motive within each thougt is unique, in all our actions each of us leaves behind traces o four self. Like our fingerprints, these traces are indentifable”

“O motivo por trás de cada pensamento é único, em cada ação, cada um de nós deixa rastros de nós mesmos. Como as nossas impressões digitais, esses rastros são identificáveis”

Em Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel , Steve Hodel investiga o passado de seu pai, George Hodel e apresenta a teoria de que ele não só foi responsável pelo assassinato de Elizabeth Short, a Dália Negra, como também uma série de outras mulheres em Los Angeles, uma mulher em Manila e pelos assassinatos cometidos pelo Zodíaco.

Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel é uma continuação não oficial de Black Dahlia Avenger: A Genius for Murder: The True Story. No primeiro livro, Steve investiga o passado de seu pai, depois de encontrar uma foto no álbum dele, que para Steve era Elizabeth Short e chega à conclusão de que George Hodel matou Short e outras mulheres, cujo os casos nunca foram desvendados.

No seu segundo livro, Steve prossegue com a investigação ao passado do seu pai e chega à conclusão que George também pode ser responsável pelo assassinato de uma mulher em Manila, onde George de fato morou, e pelos assassinatos atribuídos ao assassino do Zodíaco.

Steve começa nos dando uma pequena biografia de seu pai, começando pela sua infância, juventude e vida como jovem adulto. O autor também entra em aspectos mais problemáticos da vida de George, como o boato de que ele teria uma filha que ele nunca assumiu, as acusações de incesto feitas por Tamar, meia irmã de Steve, as acusações de que George teria incitado uma das suas secretarias a se matar e o fato de que ele de fato foi um dos suspeitos no caso de Short.

Depois, Steve começa a explicar sobre a sua investigação e tenta convencer seu leitor do seu ponto de vista. Quando Most Evil começa, Steve já parte do princípio que está estabelecido que George é o assassino de Short, embora isso nunca tenha sido confirmado e segue falando sobre os supostos outros crimes de seu pai.

Boa parte do conteúdo desse livro já estava presente em Black Dahlia Avenger: A Genius for Murder: The True Story. No primeiro livro, Steve, inclusive dá ainda mais informação para o leitor, especialmente na parte que diz respeito a biografia de seu pai, aqui, ele fala de maneira mais rápida, imaginando que quem chegou em Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel muito possivelmente já leu seu outro livro.

Ele fala bem por cima do caso da Dália Negra, uma vez que isso já é explanado de maneira bem clara no outro livro, e sobre os outros assassinatos de Los Angeles que ele atribui a seu pai. O foco aqui são os crimes que George teria cometido depois de sair de Los Angeles, que também são citados em Black Dahlia Avenger: A Genius for Murder: The True Story, mas de maneira bem rápida.

Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel é como a maioria dos livros de crime real, que descreve fatos, acontecimentos e provas e que depois, cria a sua própria teoria em cima do que foi explicado.

A história de Steve e de George Hodel é sem dúvida interessante, e tão sinistra que parece ter sido criada para um livro noir. A ideia de descobrir que seu pai pode ser um assassino, ou um serial killer, depois da morte dele é instigante e certamente atrai muita atenção para os livros de Steve, mas a verdade é que o autor não pode de fato provar boa parte das coisas que ele escreve no livro.

George Hodel era, aparentemente, um homem estranho e cruel. Ele comandava sua família com mãos de ferro, trocava de mulheres com uma rapidez assustadora, e fazia festas regadas a sexo e bebidas na sua grande mansão em Los Angeles. Ele também era um médico importante e rico da cidade, que tinha amigos influentes, um Q.I. alto e uma paixão pelo surrealismo.

George foi acusado pela sua filha Tamar de estupra-la e engravida-la, quando ela tinha quinze anos, o caso chegou aos tribunais e tinha testemunhas a favor de Tamar, mas George acabou absolvido. Mais tarde, ele foi responsável pela separação de Tamar e sua filha, Fauna – que não era filha de George, Tamar fez um aborto logo depois de supostamente, engravidar de seu próprio pai -, que foi dada para adoção para uma família negra. A segunda filha de Tamar, Fauna II (batizada originalmente de Deborah) também acusa seu avô de ter a molestado.

Também é verdade que George foi um dos suspeitos do assassinato de Short e de outros casos que aconteceram na mesma época em Los Angeles, ele certamente se encaixa no perfil do assassino de Short, afinal, era médico e os cortes no corpo de Short foram realizados com precisão e conhecimento. George também foi investigado por ter, supostamente, incentivado uma secretaria a se matar.

Por outro lado, nada nunca foi provado e George viveu sua vida de maneira tranquila até a sua morte em 1999. Tamar e Fauna II mantém suas acusações contra George, mas ele foi absolvido. Parece no entanto, que a família Hodel está bem certa sobre a culpa de George e é isso que os livros de Steve mostram.

Mas existem alguns problemas em relação a livros nesse estilo. O primeiro deles é bem óbvio: George está morto e Black Dahlia Avenger: A Genius for Murder: The True Story, o primeiro livro de Steve, só foi publicado depois da morte dele, portanto, não temos em momento algum, o ponto de vista do acusado, que querendo ou não, tem o direito de defesa.

O segundo é que a teoria de Steve provavelmente nunca vai ser provada, uma vez que a maioria dos casos que ele cita, provavelmente nunca serão desvendados. Isso se complica quando pensamentos que Steve não tem nenhuma evidência de fato e que boa parte do que ele apresenta nos seus livros são provas circunstais. Sim, George vivia em Los Angeles quando Short morreu, os cortes no corpo dela foram feitos por alguém que sabia como e lembram muito as pinturas surrealistas que George admirava e eles poderiam ter se conhecido na clínica de doenças venéreas em que George trabalhava, mas não existe nenhuma comprovação de que isso aconteceu, de que Short esteve lá alguma vez ou que ela sequer conheceu George.

Outra questão que incomoda especialmente em Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel é que a teoria de Steve soa um pouco fraca e muito fantasiosa. George Hodel teria em torno de 60 anos, no final dos anos 60, quando os crimes do Zodíaco aconteceram e é difícil de acreditar que um homem de 60 anos, teria força física para prender e esfaquear casais de adolescentes.

O modus operandi e o perfil das vítimas do Zodíaco também é bem diferente dos de outros crimes citados por Steve. As vítimas de Los Angeles e até a mulher morta em Manila, eram mulheres, que foram mortas e mutiladas, muitas vezes de maneira severa, enquanto as vítimas do Zodíaco são casais, que foram esfaqueados, enquanto se encontravam em lugares desertos.

Steve defende em seu livro que serial killers só param de matar quando vão para a cadeia ou quando morrem e que, portanto, seu pai não poderia ter sido um serial killer nos anos 40 e então, simplesmente ter parado de matar, mas serial killers também não mudam seus métodos tão drasticamente.

O caso de Short, por exemplo, nunca foi resolvido, então, boa parte do que se sabe sobre ele é especulação. A autopsia chegou à conclusão de que os cortes realizados no corpo dela foram feitos por um profissional, mas Short também foi torturada por alguns dias antes de ser morta e o crime soa extremamente pessoal, tanto que ainda hoje, o caso dela configura como um crime separado, que nunca foi conectado a nenhum outro caso ou serial killer (embora muita gente acredite que possa ter relação entre esse caso e Assassino do Tronco de Cleveland), por isso parece meio absurdo ligar um crime com alto grau de crueldade, tortura e onde uma mulher foi mutilada e cortada ao meio, com crimes onde pessoas foram amarradas e esfaqueadas.

Quando Steve culpa seu pai por vários assassinatos de mulheres em Los Angeles nos anos 40, de uma mulher em Manila e dos crimes do Zodíaco, tudo soa tão inacreditavelmente e sensacionalista que faz com que o leitor também deixe de acreditar no caso mais forte e mais interessante que ele tem, que é a possível ligação entre George e Short.

É bom deixar claro que Steve não tem nenhuma prova de que seu pai matou Short ou qualquer pessoa e que George Hodel nunca foi oficialmente acusado de nenhum assassinato, embora ele tenha sido considerado suspeito em pelo menos, três assassinatos, portanto é impossível dizer o que ele fez ou deixou de fazer e nem é correto acusa-lo de nada, mas entre todas as coisas que Steve acusa seu pai, a morte de Short é a mais plausível e a que mais poderia convencer os leitores.

O que acontece em Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel é que Steve perde tempo tentando provar um caso que não parece nem um pouco viável, enquanto perde a credibilidade de outro, que poderia ser. Embora o livro seja interessante e a ideia por trás da história de Steve seja surreal e muito fascinante, Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel soa como uma ficção.

A leitura do livro é fácil e o assunto é interessante, é óbvio que quem gosta de livros que abordam crimes reais vai ler o livro rápido, mas o primeiro livro de Steve, que ainda pode ser debatido em relação a sua veracidade, é bem mais instigante e informativo.

Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel certamente vai agradar os fãs do gênero, mas apresenta uma teoria sem provas, que ficaria muito melhor em um livro ficcional.

Título original: Most Evil: Avenger, Zodiac, and the Further Serial Murders of Dr. George Hill Hodel

Autor: Steve Hodel

Gênero: Crime Real, Suspense, Policial

Ano de lançamento: 2009

Editora: Berkley

Número de Páginas: 368

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