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1965: O Ano Mais Revolucionário da Música, Andrew Grant Jackson

“As pessoas insistem em chamar de motim mas nós chamamos de revolta porque teve um proposito legitimo. Foi uma resposta a brutalidade policial e a exploração social de uma comunidade, de um povo (…). As pessoas disseram que incendiamos nossa comunidade. Mas, não, não fizemos isso. Nós nos revoltamos em nossa comunidade contra as pessoas que estavam tentando nos explorar e nos oprimir. Não éramos os donos dos negócios dessa comunidade. Algumas pessoas querem saber se acho que realmente valeu a pena. E acho que sempre que as pessoas lutam por seus direitos vale a pena”- Tommy Jacquette

1965: O Ano Mais Revolucionário da Música é um livro não ficcional que explora os acontecimentos musicais de 1965, e todas as implicações que eles tiveram no futuro, ao mesmo tempo que fala sobre as diversas mudanças sociais e de costumes que surgiram com a década de 60.

A sinopse de 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música parece simples, mas o seu conteúdo certamente não é. O autor Andrew Grant Jackson é historiador e músico e sua pesquisa presente no livro é abundante, além de muito interessante.

O livro começa com uma pequena introdução que remonta aos quatro primeiros anos da década de 60, onde ele explica, aonde exatamente o mundo se encontrava quando 1965 começou. O que Jackson mostra é um mundo completamente diferente do que conhecemos hoje, onde os jovens quase não demonstravam suas opiniões, as mulheres ainda viviam em função dos homens, os negros eram brutalizados e mal se falava em homossexuais. Depois dessa pequena introdução, o autor separa seu livro pelos meses do ano e vai descrevendo tudo que aconteceu na música naquele mês.

Personagens famosos como os Beatles, os Beach Boys, os Rolling Stones, Bob Dylan, Andy Warhol, Marianne Faithfull, Edie Sedgwick e outros aparecem nas histórias que aqui são contadas. O autor é bem detalhista em relação ao que ele apresenta, mas é óbvio que uma vez que ele está disposto a falar de tudo que aconteceu na música em 1965, ele não foca só em uma banda ou pessoa, então, pode ser que quem chegar no livro buscando em formação sobre algum artística especifico, acabe ficando frustrado.

Por outro lado, Jackson faz exatamente o que ele promete: nos dá um panorama da música em 1965, enquanto explica todos os desdobramentos desse ano não só na indústria da música, mas também no mundo. 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música pode até fazer com que o leitor se interesse por um ou outro artista que é citado no livro.

O livro é cheio de pequenas falas que são atribuídas a outras personalidades e que dizem respeito aos vários assuntos que Jackson trata.

Uma vez que o autor se propõe a falar da década de 60, é impossível não falar de todos os acontecimentos, em todas as esferas, que se deram na época. Conhecida como uma das décadas mais revolucionarias do século XX, os anos 60 foram palco de revoluções sociais, sexuais, de costume, de comportamento, musicais, cinematográficas, da moda, e de uma série de protestos em favor dos direitos humanos e contra o racismo.

O interessante de 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música é justamente isso, a forma com que Jackson ao mesmo tempo que fala de música fala sobre as diversas mudanças de comportamento que a década de 60 trouxe, afinal, não existe mudança de comportamento sem que a arte pelo menos, a anuncie.

No livro, Jackson explica que os anos 60 foram um dos poucos períodos da história em que existiam mais adolescente do que adultos vivendo nos Estados Unidos e Inglaterra, em função do baby boom dos anos 40 e que esses adolescentes eram os protagonistas nas diversas mudanças que vinham pela frente. Em de 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música, Jackson fala da pílula anticoncepcional e de como isso modificou totalmente a ideia de sexualidade e automaticamente, casamento para as mulheres, da chegada da minissaia, dos protestos contra violência aos negros, dos protestos do Vietnã e de como todas essas coisas, somadas, foram pouco a pouco fazendo com que o mundo mudasse completamente.

O foco de Jackson é a música, mas ele nos dá uma aula de história sobre os anos 60.

É importante ressaltar que o livro é focado especificamente nos Estados Unidos e na Inglaterra, então ele não aborda outras questões importantes que estavam acontecendo ao redor do mundo, como por exemplo, a Nouvelle Vague e mais tarde, a revolta dos estudantes na França, as diversas ditaduras militares nos países da América Latina e o surgimento de movimentos culturais como o Cinema Novo e a Tropicália, ambos no Brasil.

Claro que é uma pena que o livro não aborde tudo isso, mas talvez se ele o fizesse, ele se tornasse mais vago e pouco profundo.

Quando se termina a leitura de 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música, especialmente se o leitor não viveu os anos 60, a sensação que se tem é que o mundo evoluiu tanto que o que aconteceu antes disso parece fazer parte de um passado muito mais distante do que se fato é, a vida narrada por Jackson é completamente diferente da vida de hoje e o autor narra acontecimentos que parecem até inventados, como por exemplo, médicos que se recusavam a receitar pílula anticoncepcional para mulheres solteiras. Hoje em dia soa até surreal que qualquer pessoa possa sequer pensar em cuidar da vida sexual de uma mulher, mas isso chegou a ser julgado nos anos 60.

A pesquisa de Jackson é extremamente bem-feita e o que não falta em 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música é informação. Qualquer pessoa que se interesse por música, pelos anos 60, por história ou queira entender como o mundo muda e como isso está muito ligado ao espirito do tempo e aos pequenos acontecimentos do dia a dia, vai achar esse livro muito instigante.

Também é importante dizer que embora o livro seja uma pesquisa histórica, ele não é parado, lento ou chato, a leitura é muito fácil e prazerosa e cheia de conhecimento. Como ele narra eventos que estão relativamente próximos de nós, pelo menos em tempo numérico, a obra não soa como um livro de história daqueles que lemos, por exemplo, para a escola – não que esses livros sejam necessariamente desinteressantes-.

Embora fale de um período não tão distante, 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música apresenta um mundo que parece outro, e enquanto fala sobre música e como esses acontecimentos mudaram a indústria musical, ele também fala de mudanças sociais e comportamentais e prova que o mundo precisa sim, evoluir, mesmo que o passado sempre pareça mais sedutor.

Título no Brasil: 1965: O Ano Mais Revolucionário da Música

Título Original: 1965: The Most Revolutionary Year in Music

Autor: Andrew Grant Jackson

Tradução: Edmundo Barreiros

Gênero: Música, História, Não Ficção

Ano de lançamento: 2015

Editora: Leya

Número de Páginas: 416

Foto: Fernanda Cavalcanti

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