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Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz, Gregory Maguire

“ ‘People who claim that they’re evil are usually no worse than the rest of us.’ He sighed ‘It’s people who claim that they’re good, or any way better than the rest of us, that you have to be wary of. ‘ ”

“’As pessoas que se dizem más, normalmente, não são piores que nenhum de nós’, ele suspirou ‘É com as pessoas que se dizem boas ou melhor que os outros que você deve se preocupar’”- traduzido livremente por Fernanda Cavalcanti

Elphaba nasce em Munchkinland, uma terra em Oz. Ela é filha de Melena Thropp, descendente de uma família rica e influente e Frexspar, um pastor pobre. Os pais, no entanto, mal têm tempo de comemorar, porque notam que a menina nasceu com a pele completamente verde e com dentes pontiagudos como facas.

Sem entender o que aconteceu, Melena chama sua própria baba, Nanny para cuidar de Elphaba, uma vez que ela própria não consegue passar muito tempo com a filha. Melena logo engravida de novo e faz de tudo para que seu próximo filho não nasça com a pele verde. Ela dá à luz a Nessarose, que tem a pele rosa, mas não tem nem braços, nem pernas.

Dezesseis anos depois, Elphaba vai para a universidade Shiz, onde conhece Galinda, sua colega de quarto. As duas tem personalidades completamente diferentes e a princípio, se odeiam, mas mais tarde se tornam amigas e logo notam que tem algo muito estranho acontecendo em Oz.

Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz se passa no universo dos livros da série O Mágico de Oz, de L. Frank Baum e tem como ideia contar a história da Bruxa Malvada do Oeste e do que aconteceu antes de Dorothy Gale chegar em Oz. Ele também é o primeiro volume da série The Wicked Years, também composta por O Filho da Bruxa, A Lion Among Men e Out of Oz.

Para tal, Gregory Maguire volta ao princípio de tudo. Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz começa bem antes de Elphaba – a Bruxa Malvada do Oeste – nascer e narra, a princípio, um pouco da história dos pais de Elphaba. Melena Thropp, a mãe de Elphaba, vem de uma família rica e importante de Oz, mas resolveu largar tudo para casar com Frex, um pastor pobre. O casamento dos dois não anda às mil maravilhas e Frex viaja muito, deixando a esposa sozinha. Um dia ela recebe um viajante, que lhe dá uma bebida verde, que a faz dormir, logo depois Melena descobre que está grávida.

Elphaba vem ao mundo muito esperada, mas acaba rejeitada quando seus pais notam que ela não só tem a pele verde, como tem dentes extremamente pontudos. Conforme ela vai crescendo, a família vai notando alguns hábitos bem estranhos na menina, como várias tentativas de engolir pequenos animais. Melena não consegue nem olhar para a própria filha e pede a sua antiga babá, Nanny, que cuide da menina para ela.

Melena engravida logo depois e faz de tudo para que a criança não nasce verde. Nessarose, a irmã de Elphaba, nasce com a pele rosa, mas sem nenhum membro, o que torna ela dependente de alguém para o resto da vida, mas também a favorita de seu pai.

Elphaba então, vai estudar em Shiz, onde conhece Galinda – a futura Bruxa Boa do Norte -. No início as duas se odeiam, mas logo acabam se tornando amigas e ajudando uma outra. Elphaba também nota que tem algo muito estranho acontecendo em Shiz e de certa forma, em toda Oz. Os animais, que nesse universo falam e convivem com os humanos, estão perdendo a voz e sendo aos poucos excluídos.

Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz é um livro bem complexo. Ele é dividido em cinco partes e cada parte se passa em uma terra diferente dentro de Oz. O livro cobre basicamente toda a vida de Elphaba, começa antes do seu nascimento e termina em seu encontro com Dorothy, que se repete de maneira parecida com o que acontece em O Mágico de Oz.

A ideia do livro, no entanto, é simples: mostrar como a grande vilã de O Mágico de Oz se tornou essa grande vilã. Quando faz isso, Maguire cria uma versão humana e um tanto quanto realista de uma figura que é tradicionalmente bidimensional e que no trabalho original é um estereótipo. A Bruxa Malvada do Oeste, de O Mágico de Oz – que originalmente não tem nem nome próprio – é o clássico estereótipo da bruxa má, mesmo que muito desse estereótipo tenha sido pautado em função de O Mágico de Oz: ela é má e só.

E o mesmo acontece com outros personagens de O Mágico de Oz. Glinda, a Bruxa Boa do Norte, é a personificação do bem, Dorothy é uma criança inocente, que não conhece seu próprio poder, o espantalho, é um personagem inteligente, que não percebe tudo que sabe, o Leão é covarde e o Homem de Lata, supostamente não tem sentimentos.

Quando Maguire transforma a Bruxa Malvada do Oeste em Elphaba e lhe dá características humanas, ele também acaba dando características humanas para todos esses personagens, que no livro original são estereótipos. No contexto de O Mágico de Oz, não tem muito problema que seus personagens não sejam profundos e representem apenas uma característica, uma vez que O Mágico de Oz é um conto de fadas moderno, e contos de fadas normalmente se pautam em estereótipo, mas é interessante que Maguire resolva dar outra cara para esses personagens.

A Elphaba de Maguire não é má de nascença, ela é, uma personagem esquisita, que é constantemente excluída e que quando chega na adolescência, já se habitou ao papel de outsider que lhe foi imputado durante a vida toda e que vai lhe render a nome de Bruxa Malvada do Oeste. Elphaba é extremamente inteligente e surpreendentemente gentil, ela ajuda seus amigos, seus familiares e até pessoas que ela não conhece. Quando mais velha, ela se envolve em protestos em favor dos direitos dos animais e contra o Mágico de Oz, que aqui é retratado como um ditador, o que faz com que ela se exile. Já a Galinda – que mais tarde se torna Glinda – de Maguire, ainda não é a bruxa boa que entrega os sapatinhos para Dorothy, ela é mimada, egoísta e ligeiramente má, como uma menina malvada de filme americano, que com o tempo vai aprendendo que o mundo é muito mais do que ela conhecia dentro da sua bolha. Diferente de Elphaba, ela se infiltra melhor no mundo e por isso, mesmo sento contra o que acontece em Oz, ela leva uma vida tranquila, e não precisa se esconder.

Embora a ideia de Maguire seja relativamente simples, sua execução não é. Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz não é só a história de Elphaba e do que aconteceu antes de Dorothy chegar a Oz, mas também é um livro sobre a política de Oz e sobre uma iminente revolução que paira no ar. O Mágico de Oz é uma espécie de ditador, que não tem qualquer habilidade, mas que mantém o povo cego para o que ele faz, Elphaba é uma revolucionaria que deseja derruba-lo.

Seria injusto dizer que a série The Wicked Years é muito mais política que a série O Mágico de Oz, uma vez que embora o livro original seja um conto de fadas, que tem como intenção ensinar as crianças sobre as suas próprias habilidades, e que mergulha profundamente em quase todos os aspectos dos contos de fadas, existem uma série de interpretações do livro que pensam nele como uma grande alegoria da política americana da época de seu lançamento. Independente disso, O Mágico de Oz tem um óbvio conteúdo político, mesmo se pensado como contos de fadas. Existe uma hierarquia em Oz, existe um ditador em Oz, que de fato não sabe governar, mas que se dá ao trabalho de obrigar os cidadãos a usarem óculos que alteram sua visão e Dorothy é, a sua maneira, uma revolucionaria meio inconsciente, que chega a Oz matando uma ditadora cruel e odiada pelo povo – a Bruxa Malvada do Leste, que em Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz é Nessarose, a irmã de Elphaba -, e desmascarando outro.

A diferença entre a série de O Mágico de Oz e The Wicked Years é que na segunda a questão política é bem mais exacerbada e clara. Maguire é meticuloso e poderia facilmente escrever um livro sobre a política em Oz, o que é muito interessante. Em O Mágico de Oz, toda a questão política é mascarada com sapatinhos mágicos, caminhos encantados e personagens fofos.

O que o autor faz aqui é pegar uma história que, mesmo com muitos significados, é destinada para crianças, e transformar em uma história voltada para adultos.

Aliais, essa é outra questão que distancia as duas obras: Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz é um livro para adultos, que tem cenas violentas e cenas de sexo, além de todo o conteúdo político presente, que é complicado até para adultos.

A história certamente é bem aproveitada. O universo de Oz é muito rico e é repleto de metáforas, e por isso, faz sentido que se façam releituras. Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz é certamente a mais famosa dessas releituras e Maguire aproveita a história da melhor maneira possível, o mundo de Oz que ele criou é original, mas ainda faz jus a história de Baum. No entanto, o livro é muito complexo, especialmente a sua questão política, que quase precisa de um apêndice próprio e com o tempo a trama vai se tornando mais difícil, mais parada e um pouco chata.

O começo do livro é muito interessante e a leitura prende o leitor. Quando Elphaba chega a universidade, muitos personagens começam a aparecer e é aí que tudo vai ficando mais difícil de compreender.

Os fãs de O Mágico de Oz certamente vão reconhecer personagens, objetos e locais que aparecem no livro de Baum, assim como os fãs do musical Wicked, inspirado no livro, também vão reconhecer boa parte da história, mas Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz é um livro independente, e é em muitas maneiras, bem diferente do musical, a sensação que se tem é que o musical pegou as partes mais interessantes do livro e descartou as outras.

A habilidade de Maguire em adaptar a sua própria Oz, os personagens – tanto os que existem em O Mágico de Oz, quanto os que ele próprio criou -, a política e a história do local é admirável, é óbvio que Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz vem de ma boa ideia, de boas intenções e muito trabalho e dedicação, mas o livro em si é um tanto quanto lento, o que vai pouco a pouco, cansado os leitores.

Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz ainda é uma boa pedida e parece quase imprescindível para os fãs de O Mágico de Oz e do musical Wicked, embora não seja tão dinâmico, quanto poderia ser.

Título no Brasil: Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz

Título Original: Wicked

Autor: Gregory Maguire

Tradução: Tatiana Leão

Gênero: Fantasia

Ano de lançamento: 1995

Editora: Leya

Número de Páginas: 496

Foto: Fernanda Cavalcanti

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