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Agosto, Rubem Fonseca

Um empresário é assassinado e o caso logo cai nas mãos do Comissário Alberto Mattos. Conforme se embrenha na investigação, Alberto começa a desconfiar que as pistas e evidencias podem incriminar pessoas próximas do presidente da república, Getúlio Vargas. 

Agosto é um romance policial, que mistura ficção com realidade. Enquanto o protagonista Alberto Mattos e as pessoas com quem ele se relaciona pessoalmente e até profissionalmente, são personagens fictícios, o livro se passa em 1954, e tem como pano de fundo o governo de Getúlio Vargas e o atentado ao jornalista Carlos Lacerda, opositor de Vargas.

A ideia de Agosto é bem interessante. Nos seus aspectos mais simples, o livro seria definido como um romance policial, com toques de noir. Aqui acompanhamos um comissário, que precisa investigar o assassinato de um empresário, ao mesmo tempo que balanceia duas mulheres que estão apaixonadas por ele, sua ex-namorada, Alice, hoje casada com um homem poderoso e uma namoradinha com quem ele se encontra de vez em quando, Salete, que também é mantida por outro homem poderoso.

Como é comum no gênero, as investigações começam a se misturar com a vida pessoal de Mattos e também com pessoas poderosas. Do noir, o livro tem o clima da investigação e o fato de que nenhum personagem é o mocinho no sentido mais simples da palavra, o próprio Mattos, que é o protagonista, comete pequenos delitos e não é totalmente honesto. O leitor, no entanto, está colado a ele o tempo todo e consegue perdoar seu comportamento, porque percebe sua vontade de desvendar o caso.

Mas Agosto não é só um romance policial, ele também é uma ficção histórica, que usa acontecimentos reais como pano de fundo para a sua trama. O livro se passa em 1954, durante o governo de Getúlio Vargas e em determinado momento da trama, acompanhamos o atentado contra Carlos Lacerda, jornalista que era contra o governo Vargas. Os acontecimentos reais não servem apenas para contextualizar a trama, mas se unem a ela conforme a investigação prossegue e Mattos percebe que o assassino pode ser alguém da convivência de Getúlio.

Embora o livro tenha muita informação histórica, ele ainda é uma obra de literatura e pode ser apreciado como um livro policial, que narra uma história ficcional. É interessante que se saiba um pouco sobre a história do Brasil, mas não é necessário saber nada, Agosto não tem qualquer intenção de ensinar história para os seus leitores, mas acaba fazendo isso indiretamente.

Como todo livro policial, que acompanha uma investigação, Agosto tem muitos personagens e alguns que são apenas citados e dos quais conhecemos pouco, por isso, é fácil se confundir e se perder na trama. No entanto, a trama de Mattos, seja a questão profissional, que obviamente se torna uma obsessão, seja a questão pessoal, é bem interessante de se acompanhar.

O crime apresentado não é especialmente sangrento ou macabro, mas proporciona bastante movimentação para a trama e como é totalmente ambientado no Rio de Janeiro, o livro tem questões que dizem respeito ao Brasil e a nossa cultura e é ótimo entrar nesse universo e acompanhar uma investigação que se passa aqui e que é influenciada por elementos daqui.

É óbvio que Agosto é uma obra diferente e que traz uma mistura instigante de ficção e história, ao mesmo tempo que presenteia o leitor com uma boa trama de suspense, o livro, no entanto, fica lento em alguns momentos embora isso não seja exatamente um problema, uma vez que a trama é muito bem escrita e só parece ter uma pequena dificuldade em prender o leitor definitivamente.

Agosto é uma mistura incomum, mas que funciona, e que entrega ao leitor uma ótima investigação e uma trama intricada.

Título no Brasil: Agosto

Título Original: Agosto

Autor: Rubem Fonseca

Gênero: Policial, Noir, Ficção Histórica

Ano de lançamento: 1990

Editora: Nova Fronteira

Número de Páginas: 368

Foto: Fernanda Cavalcanti

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