Adaptações, série

Série: Anne com um E (2ª temporada), 2018

Agora vivendo permanentemente com os Cuthbert, Anne (Amybeth McNulty) continua a mesma sonhadora de sempre, mas algumas coisas mudaram em Avonlea. Gilbert (Lucas Jade Zumann) partiu em um navio depois da morte do pai e Anne ainda tenta tomar coragem para lhe enviar uma carta, a sua amizade com Diana (Dalila Bela) se torna cada vez mais forte e as meninas são inseparáveis e Anne conhece e fica amiga de Cole Mackenzie (Cory Grüter-Andrew), um novo colega de escola, que como ela, tem dificuldade de se enturmar.

Mas a falta de dinheiro dos Cuthbert faz com que eles precisem alugar alguns quartos da casa e é assim que Nathaniel (Taras Lavren) e Sr. Dunlop (Shane Carty), dois forasteiros chegam a cidade, dizendo que o lugar pode estar cheio de ouro e cobrando dos habitantes para pesquisar os solos de seus terrenos.

Anne com um E é inspirado no livro Anne de Green Gables, de Lucy Maud Montgomery e nas suas continuações.

Na segunda temporada da série, acompanhamos uma Anne um pouco mais crescida, mas que ainda mantém sua personalidade sonhadora e persistente, que em alguns momentos se torna até irritante. É bom que a personagem principal se mantenha como ela foi originalmente pensada, já que é possivelmente isso que atraiu seu público.

Aqui Anne já não lida mais com as mesmas questões da primeira temporada, onde tudo que ela queria era agradar Marilla (Geraldine James) e Matthew Cuthberth (R.H. Thomson) para que os dois irmãos formalizassem sua adoção. Anne agora é uma menina adotada, muito bem tratada, que se dá bem com seus pais adotivos. Ela também parece consideravelmente mais segura e pouco se lembra dos momentos que passou no orfanato e em outros lares temporários, por isso, a temporada tem menos cenas pesadas.

O interessante de Anne com um E é que existe uma óbvia vontade de modernizar as tramas de Lucy Maud Montgomery, que foram escritas entre 1908 e 1939, o que é muito bem-vindo. Os livros têm uma mensagem positiva que no fundo pregam que devemos aceitar todos como somos, mas é claro que não aborda alguns temas que merecem ser abordados nos dias de hoje, mas a série dá conta disso.

Anne tem um claro discurso feminista, desde o começo quando ela descobre que Marilla e Matthew queriam adotar um menino para ajuda-los na fazenda, ela diz que pode fazer as mesmas atividades e que não é justo que eles pensem que ela não pode só porque ela é uma garota. Essa ideia persiste com Anne, que na escola e entre seus amigos, coloca as suas opiniões sempre de maneira muito afirmativa.

A melhor amiga de Anne, Diana está sendo treinada pela mãe (Helen Johns) para se tornar uma “esposa perfeita”, e outras meninas da escola também falam sobre casamentos e futuros maridos, Prissy Andrews (Ella Jonas Farlinger) inclusive fica noiva do professor (Stephen Tracey) – em uma relação que é no mínimo, estranha -, mas o casamento é um assunto pelo qual Anne não parece se interessar, ela gosta de livros, da natureza, de teatro e de seus amigos, e fala com frequência sobre sua educação e carreira, mas quase nunca fala sobre casamento. Fica óbvio para o telespectador que ela gosta de Gilbert e que o sentimento é reciproco, mas esse não é um assunto que toma muito tempo da vida de Anne.

Também acompanhamos a chegada de uma nova professora (Joanna Douglas), o que também choca Avonlea, mas agrada Anne, que vê a mulher como um ídolo e que se esforça ainda mais na escola.

Nessa segunda temporada, outros assuntos importantes são abordados, como o racismo e a homofobia. Bash (Dalmar Abuzeid) é um homem negro, que é constantemente tratado como escravo, mesmo que a escravidão já tenha acabado. Ele, no entanto, recusa o tratamento e responde quem lhe coloca nessa posição, o que é bem interessante para a trama de Anne com um E. Bash se torna amigo de Gilbert, que mesmo com todo o preconceito que circunda a época, o convida para ser seu sócio.

Já Cole, o novo aluno da escola, é retratado como alguém que não gosta de ficar junto dos outros meninos e que se interessa por arte e por pintura – ele é um ótimo desenhista -, ele e Anne se tornam amigos quase que imediatamente, porque como ela, Cole também se sente um peixe fora d’agua na escola e mais tarde, ele conta a ela que é gay. Cole é um personagem que não está presente no livro, mas que faz muita diferença para a série, primeiro porque sua relação com Anne é muito próxima e os dois se tornam bem amigos, mas também porque ele fala com os dias de hoje. É claro que parece bem irrealista que um garoto de treze anos que vivia nos anos 1900 se assumisse como Cole faz, mas isso não é tão importante quanto passar a mensagem de aceitação da série, que aqui é transmitida através de Anne e de conversar com os dias atuais.

Também é ótimo que a sexualidade de Cole não seja pautada por nenhuma relação, afinal, ele é um menino de treze anos vivendo nos anos 1900, ele não precisa se apaixonar por outro garoto ou ter qualquer envolvimento romântico com alguém do sexo masculino, ele simplesmente sabe que é homossexual, porque essa é uma característica que faz parte dele.

Anne enfrenta problemas diferentes nessa temporada, como o bullying por parte de Billy Andrews (Christian Martyn), que implica com Cole o tempo todo, a chegada de Nathaniel e de Sr. Dunlop, que são, no mínimo, estranhos, e o fato de quem muitas pessoas não a levam sério, mesmo quando ela fala a verdade.

A temporada tem ainda uma questão que não desce bem, que é a relação do professor Phillips com Prissy, que é uma aluna. Ela parece mais velha do que a protagonista e os outros personagens, mas sendo uma aluna, subtende-se que ela é menor de idade e que o professor é maior de idade, portanto, a relação é muito problemática. Mas na série isso não é visto de maneira ruim, todos parecem aceitar e inclusive, comentar o romance, tanto que os dois chegam a ficarem noivos. Anne com um E se desculpa disso ao longo do tempo, mas a maneira que a relação é tratada ainda é estranha.

Em relação as partes técnicas, Anne com um E é uma série bem produzida, a fotografia é bonita, os cenários lindos e colocam o telespectador completamente dentro da trama e os figurinos refletem a época em que a trama se passa e as personalidades dos personagens. Amybeth McNulty está perfeita no papel de Anne, ela não só tem a aparência certa, como também consegue captar todas as características da personagem. Outro ator que sai bem Cory Gruter-Andrew, que interpreta Cole, a sua atuação é bem sensível e é fácil simpatizar com ele.

Como sua temporada anterior, Anne com um E é um ótimo entretenimento para a família toda, que pode encantar crianças e fazer os adultos pensarem. A segunda temporada é melhor que a primeira porque traz mais temas atuais, que merecem ser debatidos, enquanto se mantém fiel ao espirito da obra original e a ideia da temporada anterior.

Mesmo ambientada nos anos 1900, a segunda temporada de Anne com E traz temas que dizem respeito aos dias de hoje, de maneira leve, mas ainda assim contundente.

Título no Brasil: Anne com um E

Título original: Anne With an E

Elenco: Amybeth McNulty, Lucas Jade Zumann, Aymeric Jett Montaz, R.H. Thomson, Dalila Bela

Gênero: Drama

Duração do episódio: 60min

Número de episódios: 10

Ano: 2018

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