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Filme: Luana Muniz: filha da Lua, 2017

Luana Muniz: filha da lua acompanha a trajetória de Luana Muniz, mulher transgênera, que dividia seu tempo entre os shows, a militância LGBTQIA+ e a prostituição.

Fica claro desde o começo do filme que a ideia de Luana Muniz: filha da lua é retratar a vida de Luana, que ficou famosa no Brasil pela frase “Tá pensando que travesti é bagunça?”, dita em um episódio do programa Profissão Repórter, do começo ao fim e o documentário faz isso muito bem.

O longa, através de entrevistas com amigos, conhecidos e fãs e através de depoimentos da própria Luana, refaz toda a trajetória da artista, passando por sua infância, que ganha muitos detalhes quando narrada do ponto de vista de Lorna Washington, um de melhores amigos de Luana e que a conhecia desde a infância, que também é transformista, passando por sua adolescência, quando Luana começa a se prostituir e sai de casa para ser quem é, já que não era aceita pela família.

O filme narra uma série de episódios polêmicos e tristes, como um abuso sexual que Luana sofreu aos nove anos e seu começo de vida como prostituta, aos onze anos, mais tarde, sua dependência química, que a levou a viver na rua, mas em momento nenhum trata Luana como vítima, porque Luana nunca se trata como vítima. Algumas dessas histórias são inclusive, narradas pela própria Luana, que dá um tom de humor, até para momentos seríssimos de sua vida, mas nada disso muda o fato de que Luana foi sim, vítima em diversos momentos, ela só interpreta os acontecimentos de outra maneira.

O documentário também cobre o período da vida de Luana em que ela ficou conhecida como rainha da Lapa, famoso bairro boêmio do Rio de Janeiro.

Luana Muniz: filha da lua tem imagens de arquivos de shows de Luana e apresenta a vida na noite dela, seus shows e seus trabalhos como atriz, especialmente no teatro – embora Luana tenha feito alguns papeis no cinema -.

O filme entra em questões um pouco mais complexas, Luana nunca teve qualquer problema em falar que se prostituía, e por isso sofreu preconceito dentro do meio teatral. Luana Muniz: filha da lua tem depoimentos de pessoas desse meio se questionando porque isso acontecia, uma vez que durante muito tempo, atrizes eram chamadas, de maneira preconceituosa, de prostitutas.

Luana Muniz: filha da lua fala sobre a vida de Luana, sua vida na noite, seu trabalho como transformista e suas polemicas, como a fala no Profissão Repórter, mas depois de apresentar os aspectos mais controversos da personalidade de Luana, o filme também apresenta o trabalho dela como militante LGBTQIA+.

Luana não só era uma agente de saúde especializada em HIV, formada pelo ministério da saúde, como também era dona de um casarão, onde ela recebia travestis e mulheres transgêneras, que não viviam no Rio de Janeiro e precisavam de um lugar para ficar, e que pagavam aluguel.

O documentário entrevista algumas das meninas que moravam no casarão de Luana, que contam algumas das histórias que viveram com a biografada, os conselhos que receberam e que dizem que Luana era como uma mãe para elas. O documentário não foge dos assuntos que deixaram Luana famosa ou que a trouxeram para a mídia, mas deixa claro que Luana tinha outras facetas.

E é isso que torna Luana Muniz: filha da lua tão importante e tão interessante: o filme não estigmatiza Luana e nem pinta ela como uma incompreendida, a própria Luana deixa claro que fez o que faz na gravação do Profissão Repórter porque quis. O documentário traz as experiências e a vivência dela, uma mulher trans, que trabalhava na rua como prostitua e faz shows a noite, ao mesmo tempo que busca respeito e com essa exemplificação, pode mostrar essa experiência para quem não conhece nada sobre o assunto e muitas vezes, perpetua preconceitos.

Luana Muniz: filha da lua é um documentário clássico, onde assistimos imagens de arquivo e entrevistas com pessoas que fizeram parte da vida de Luana, ou que podem falar de seu legado, além de depoimentos da própria Luana.

O filme faz um bom trabalho em recapitular toda a vida de Luana, desde sua infância, até a idade adulta e ganha muito com os depoimentos de pessoas muito próximas, que conhecem Luana há muito tempo e podem completar o panorama da pessoa complexa que ela era.

Luana Muniz: filha da lua é um filme que fala sobre uma mulher trans e claro que traz a tonas questões importantes, como o preconceito, a transfobia e a exclusão, mas não pinta sua protagonista como vítima, mesmo que o telespectador consiga perceber que Luana teve uma vida difícil, repleta de abusos e de rejeição, não é isso que ela passa quando fala sobre esses assuntos. É quase como se ela tivesse construído uma casca, o que parece natural para uma pessoa que passou pelo que ela passou.

O documentário é importante porque mostra as muitas facetas de Luana e não só aquelas pelas quais ela já é conhecida, como a rainha da Lapa ou a travesti responsável por um bordão em um programa de TV, afinal, Luana era tudo isso, mas também era muito mais.

Luana Muniz: filha da lua estreia no dia 12 de agosto.

Título no Brasil: Luana Muniz: filha da lua

Título original: Luana Muniz: filha da lua

Direção: Rian Córdova, Leonardo Menezes

Gênero: Documentário

Nacionalidade: Brasil

Ano: 2017

Duração: 1h 15min

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