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Daisy Jones and The Six, Taylor Jenkins Reid

Daisy: Eu não tinha o menor interesse em ser a porra da musa de alguém.

Eu não sou uma musa.

Eu sou esse alguém.

E assunto encerrado”

Daisy Jones and The Six foi uma famosa banda dos anos 70, lideradas por seus vocalistas e compositores Daisy Jones e Billy Dunne. Agora os integrantes se reúnem para explicar tudo que aconteceu naquele período e porque a banda terminou de maneira abrupta no seu augue.

Daisy Jones and The Six é um livro muito diferente em quase todos os sentidos. O primeiro é o seu tema, é raríssimo encontrarmos livros ficcionais que contam a histórias de músicos ou de bandas e quando isso acontece, geralmente os personagens em questão não são cantores de rock. Aqui começamos acompanhados duas tramas diferentes: a de Daisy Jones, uma adolescente rica e linda, que vive em Los Angeles e que começa a frequentar a cena da música como groupie, mas que logo resolve que quer ser cantora e compositora e a banda The Six, composta por Billy Dunne, seu irmão mais novo Graham, a tecladista Karen, Eddie e Warren.

Tanto Daisy, quando a banda estão buscando o sucesso e um produtor tem a ideia de juntar esses dois elementos, inicialmente para a gravação de uma música, mas depois, para sempre, o que faz com que eles estourem e se tornem a maior banda do período. Mas claro que a junção traz um monte de brigas e relacionamentos frustrados, tanto nas questões profissionais, porque Billy, por exemplo, não suporta dividir os holofotes com ninguém e se sente ofuscado por Daisy e quase não dá espaço para que os outros integrantes da banda deem opinião, mas também em questões pessoais, uma vez que a banda começa a se envolver fraternalmente e romanticamente.

Outro aspecto que torna Daisy Jones and The Six um livro único é a maneira com que ele foi escrito, a ideia é parecer que os integrantes da banda – e eventualmente outras pessoas que fizeram parte da história de Daisy Jones and The Six, como empresários, produtores e a esposa de Billy, Camila – estão dando uma entrevista, que vai fazer parte de uma obra sobre a banda. Para tal, logo no começo do livro tem um prólogo onde a autora da biografia da banda explica como se deram as entrevistas e que algumas pessoas não quiseram dar depoimento, e o livro é inteiro dividido entre depoimentos dos personagens, que vão aos poucos explicando o que aconteceu.

A ideia é bem interessante, porque de fato parece que estamos acompanhando um documentário ou uma gravação, ele inclusive lembra livros que falam sobre bandas e eventos reais, como Mate-me Por Favor, de Legs McNeil, Gillian McCain, que fala sobre o movimento punk e que também apresenta depoimentos de uma série de pessoas.

Daisy Jones and The Six acompanha Daisy e o The Six antes deles se juntarem, enquanto eles ainda estão juntos e explica por que a banda se separou depois de lançar seu disco de maior sucesso Aurora e a sensação que o leitor tem é que essa banda de fato existiu. Isso acontece porque Taylor Jenkins Reid, a autora do livro, se inspirou no disco Rumours, do Fleetwood Mac, uma banda dos anos 70, composta por homens e mulheres e que eventualmente se relacionavam e escreviam músicas sobre isso, as situações que são apresentadas no livro, estão presentes na história de quase todas as bandas reais.

O livro tem ainda várias personagens femininas fortes, mas também muito diferentes entre si. A primeira delas é Daisy, que é uma das protagonistas, que se coloca como uma mulher sensual, que usa e abusa de sua beleza, mas que ainda assim, é dona da sua própria vida e quer ser reconhecida pelo seu talento. É interessante notar que Daisy é descrita o tempo todo como uma mulher que está sempre muito arrumada e muito maquiada e usa roupas curtas, mas fica claro que ela faz isso porque ela gosta e porque essa é sua personalidade e não porque ela quer chamar a atenção dos personagens masculinos, essa é uma questão que aliais, nem parece passar na mente dela. Karen, a tecladista da banda, já se comporta de maneira contraria, ela tenta se misturar aos rapazes e usa roupas discretas e que quase não mostram o seu corpo, mas como Daisy, ela também busca aceitação e reconhecimento no rock and roll. Daisy Jones and The Six também dá bastante destaque a Camila, a esposa de Billy, que a princípio soa como uma dona de casa, que fica em casa cuidando das filhas do casal e que aceita tudo que o marido faz, mas que vai aos poucos mostrando sua força e suas ideias muito modernas, o livro deixa claro que cada mulher deve escolher seu caminho e que todos eles são igualmente validos.

O livro ainda fala de assuntos que, de certa maneira, dizem respeito as mulheres e que são pautas do movimento feminista, como aborto, consentimento, o direito de escolher sobre seu próprio corpo, sobre a sua carreira e a pressão que existe para que as mulheres larguem suas carreiras para cuidarem dos maridos e filhos.

Fica claro que Jenkins Reid fez um trabalho cuidadoso e muito bem-feito, uma vez que ela não só criou a banda, esses personagens e a trama do livro, como também criou os discos e até as músicas da banda, inclusive com letras completas, o que exige uma espécie de talento especial, já que escrever uma música é como escrever uma poesia e é bem diferente de escrever um romance.

Daisy Jones and The Six é um livro de leitura muito rápida, não só porque a maneira com que ele foi escrito torna essa leitura mais fácil, mas também porque a trama é ótima e os personagens são muito carismáticos, é impossível não se apegar e torcer por eles, o que faz com que o leitor não consiga largar o livro. Jenkins Reid também escreve muito bem, o que facilita ainda mais.

Daisy Jones and The Six é uma obra que funciona por inteiro: o livro tem uma boa trama e personagens realistas, que parecem pessoas reais, e a maneira com que ele é escrito combina muito com o tema, fazendo dele um livro totalmente único.

Título no Brasil: Daisy Jones and The Six

Título original: Daisy Jones & The Six

Autora: Taylor Jenkins Reid

Tradução: Alexandre Boide

Gênero: Contemporâneo

Ano de lançamento: 2019

Editora: Paralela

Número de Páginas: 244

Foto: Fernanda Cavalcanti

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