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Os Maias, Eça de Queirós

“— Creio que sim…mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: ‘vou ser assim porque a beleza está em ser assim’. E nunca se é assim, é-se invariavelmente ‘assado’, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente”. 

Os Maias acompanha os homens de três gerações da família Maia: Afonso da Maia, o avô, Pedro da Maia, o pai, que se suicida após sua esposa fugir levando com ela a filha dos dois, Maria Eduarda, e Carlos Eduardo, o neto, criado pelo avô e que se apaixona por uma mulher misteriosa.

Os Maias segue de perto as vidas dos membros da família Maia, de Lisboa e explora suas relações com amigos, amantes, esposas, filhos e netos, mas o livro, naturalmente, dá mais destaque para alguns personagens. A vida de Afonso, por exemplo, é apresentada em algumas páginas, enquanto a de Pedro ganha mais detalhes, mas ainda assim, é descrita de maneira rápida.

A vida de Carlos Eduardo, no entanto, ocupa grande parte do livro. Logo no começo, somos apresentados a sua família, seu pai Pedro, sua mãe, Maria e sua irmã, Maria Eduarda. Quando Maria foge com um italiano, levando sua filha, Pedro comete suicídio, deixando o filho com o pai, Afonso. O avô então, resolve criar Carlos Eduardo da maneira que desejava ter criado o filho, Pedro. O neto cresce apegado ao avô.

O leitor acompanha toda a vida de Carlos Eduardo, seus anos de infância, sua adolescência, seus estudos, sua vida adulta e então, sua paixão por uma mulher misteriosa chamada Maria Eduarda. A relação entre Carlos Eduardo e Maria Eduarda é de grande importância no livro, mas só sabemos disso depois de um tempo.

Os Maias também é um livro que retrata a Lisboa de 1800, dando inclusive localizações reais e que existem ainda nos dias de hoje. Ao mesmo tempo, ele usa das vidas desses personagens para falar sobre os costumes da época, a obra fala sobre o adultério, que parece comum a quase todos os personagens, sobre política e sobre questões sociais da época. O livro também não é muito generoso com suas personagens femininas, que são retratadas como infiéis e provocadoras, sempre fazendo com que os homens cometam uma série de crimes e contravenções.

Os Maias é, a sua maneira, um épico, embora se preocupe muito mais em contar a história de Carlos Eduardo e use Afonso quase como um coadjuvante, e a história de Pedro como uma introdução para a história de Carlos Eduardo.

Mas ele também é uma obra grande, com muitos personagens e uma escrita complexa, o que naturalmente pode prejudicar a leitura, é fácil, por exemplo, perder a atenção. Como o livro também acompanha a vida toda de Carlos Eduardo, inclusive, os momentos menos interessantes, ele pode se tornar um pouco tedioso. É óbvio que Os Maias é um clássico da literatura mundial e que ele tem seus méritos, no entanto, ele já não se comunica tanto com os dias de hoje e narra hábitos e costumes bem mais antigos.

É claro que é importante que essas questões sejam lidas ainda atualmente, também para que o público atual possa conhecer a época em que o livro se passa, mas a escrita complexa atrapalha a total compreensão, o que também deixa a obra mais lenta.

Os Maias é, sem dúvida nenhuma, uma grande obra, mas exige muita dedicação e pode se tornar um pouco parado com o tempo.

Título no Brasil: Os Maias

Título original: Os Maias

Autor: Eça de Queirós

Gênero: Clássico

Ano de lançamento: 1888

Editora: Zahar

Número de Páginas: 751

Foto: Fernanda Cavalcanti

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