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Filme: Gêmeo Maligno, 2022

Depois da morte de Nathan, um dos seus filhos gêmeos, Rachel (Teresa Palmer) e Anthony (Steven Cree) se mudam para a Finlândia com o filho que sobreviveu, Elliot (Tristan Ruggeri) e tentam esquecer a tragédia.

Mas uma força sobrenatural começa a ameaçar a família e Elliot parece ser a principal vítima.

Gêmeo Maligno tem alguns elementos bem macabros e que funcionam bem em filmes de terror, o primeiro deles são os gêmeos, que podem se tornar bem assustadores quando usados de maneira correta em um filme do gênero, a segunda é a cidade pequena para onde a família se muda depois da morte de Nathan. Ele também trabalha com alguns clichês, como por exemplo, a mudança para uma cidade pequena e tranquila no interior depois de sofrer um trauma.

No entanto, a primeira cena do filme mostra o acidente de carro onde Nathan morreu, então, não vemos os gêmeos juntos em momento algum, o que temos é uma espécie de amostra de como os gêmeos são, supostamente, conectados, já que mesmo depois da morte do irmão, Elliot segue dizendo que fala e brinca com o irmão, Gêmeo Maligno deixa sempre em dúvida se estamos diante de uma criança lidando com o luto ou se tem realmente um fantasma assombrando a casa. De qualquer maneira, o fato de Nathan não aparecer no filme funciona, porque ele faz parte do terror que é trabalhado no filme, Elliot é o gêmeo vivo e Nathan é o morto e talvez, fantasma, portanto, o maligno.

Ao mesmo tempo, Gêmeo Maligno também se insere no subgênero do folk horror, embora no começo isso não fique muito claro. Rachel, Anthony e Elliot se mudam para uma cidade pequena, conservadora, repleta de idosos, que inclusive se vestem com roupas que parecem dos anos 40, e onde todo mundo é um pouco estranho e sinistro. Com o tempo, o longa vai insinuando que existe alguma coisa terrível acontecendo ali que talvez envolva Elliot. Gêmeo Maligno trabalha bastante com simbolismo, não só os gêmeos, que podem representar uma parte boa e uma parte má, como também os círculos presentes em quase todos os frames, que segundo Helen (Barbara Marten), uma das moradoras da cidade, são importantes nas religiões pagãs.

Gêmeo Maligno tem também uma influência bem óbvia de O Bebê de Rosemary, já que os dois filmes retratam mães lutando pelas vidas de seus filhos e fugindo do que parece ser uma conspiração. Os moradores idosos da cidade, usando roupas que não fazem parte dos dias de hoje, e que parecem estar sempre rondando Rachel, lembram muito os vizinhos simpáticos de Rosemary, que na verdade querem que ela gere o anticristo. A paranoia de Rachel – que para o público parece legitima – também lembra um pouco a maneira com que Rosemary começa a pensar depois de um tempo. A diferença básica entre Gêmeo Maligno e O Bebê de Rosemary é que o segundo filme está sempre do lado de sua protagonista, enquanto o segundo se preocupa mais com plots twists.

Gêmeo Maligno tem uma armação bem interessante e tem elementos que incomodam, e que fazem o consumidor costumaz de filmes de terror já imaginar o que vem pela frente – o que não é necessariamente ruim -, mas ele também tem uma série de problemas. O filme começa bem instigante e vai bem até o momento que os personagens chegam a sua nova moradia, mas depois disso, ele se torna um pouco lento, não existe muito sustos e nem muita tensão, e um filme de terror precisa, pelo menos, de uma coisa ou de outra.

Do meio para o fim, Gêmeo Maligno tenta recuperar o tempo perdido e começa a correr sua trama, tudo parece acontecer perto do final, e na última meia hora, então, o telespectador é exposto a uma série de revelações, que não são só excessivas, como também começam a soar absurdas, porque muitas vezes elas se contradizem. O plot twist é quase natural em um filme de terror, talvez ele até se faça necessário, mas um exagero de plot twists, na realidade, fazem parecer que o roteirista não conseguiu decidir exatamente como queria terminar seu filme e tentou todos os finais possíveis no mesmo longa-metragem. Esse excesso faz o filme ficar fraco, já que em um filme bom, com um bom roteiro, um plot twist já seria suficiente.

Outro ponto problemático é que Gêmeo Maligno não é um filme assustador, ele tem elementos sinistros, mas não é nem um filme gore, que usa e abusa do sangue, nem é um filme que se escora nos jump scares – ele não dá nenhum susto, na verdade – e também não é um filme de terror psicológico, onde não vemos nada, mas sentimos a tensão o tempo todo e percebemos que tem algo estranho acontecendo. É bem óbvio que tem algo estranho acontecendo, mas não é nem vagamente perturbador.

Nos aspectos técnicos, Gêmeo Maligno se sai melhor. O cenário é lindo, e é bem escolhido, o lugar é deserto, vazio, e pacato demais, a cidade toda só tem cores outonais, tudo é escuro e um tanto quanto depressivo. A fotografia e os figurinos seguem a mesma linha. É interessante que só os protagonistas usem roupas atuais e que o restante dos moradores da cidade estejam sempre usando roupas que remetem a outras décadas, muitas mensagens são passadas de maneira subliminar com essa escolha: não só deixa a plateia meio inquieta, porque as roupas saltam aos olhos, como também fica claro que esses moradores estão presos nessa cidade, atrasados e não conhecem nada para além disso.

O elenco é bom também, Barbara Marten, Steven Cree e Tristan Ruggeri se saem bem, os idosos que rondam a cidade são bem sinistros e funcionam demais – talvez sejam a parte mais assustadora de Gêmeos Malignos -, mas o grande destaque é de Teresa Palmer, que está muito bem.

Gêmeo Maligno parte de boas ideias, ainda que não exatamente originais, mas se perde nos seus plot twists excessivos e que terminam deixando a trama um tanto quanto sem sentido. O longa chega aos cinemas no dia 11 de agosto.

Título no Brasil: Gêmeo Maligno

Título original: The Twin

Direção: Taneli Mustonen

Gênero: Terror

Ano: 2022

Duração: 1h 48min

Elenco: Teresa Palmer, Barbara Marten, Steven Cree, Tristan Ruggeri, Andres Dvinjaninov

Distribuidora: Paris Filmes

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