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Filme: Men – Faces do Medo, 2022

Depois de um trauma, Harper (Jessie Buckley) vai passar um tempo em uma pequena vila, na casa de Geoffrey (Rory Kinnear), que ela aluga, mas o que inicialmente seria um momento de descanso em uma paisagem idílica se torna um pesadelo quando Harper nota um homem a perseguindo e quando busca ajuda, percebe que não está sendo levada a sério.

Uma vila misteriosa

Men – Faces do Medo se beneficia de um clichê do gênero do terror: a cidade pequena e aparentemente idílica que tem algo estranho no ar, embora ninguém saiba muito bem apontar o que. Aqui, Harper vai passar um tempo em uma vila, em uma casa maravilhosa e bem decorada, para esquecer um trauma que acabou de sofrer. A ideia é descansar um pouco, e no começo ela ama o local e passa horas fazendo trilhas pela floresta.

Mas logo ela percebe que tem alguém a seguindo e mais tarde, vê um homem, completamente nu, no jardim da casa. Ela chama a polícia, que prende o homem, mas a sensação de perigo permanece, tanto em Harper, quanto na audiência.

Men- Faces do Medo é de fato um filme bem misterioso, até boa parte do longa não sabemos exatamente para onde ele está indo, e a trama vai nos dando pequenas e sutis pistas. Existe uma estranheza no ar, que aumenta com cada interação que Harper tem na vila e esse é um ponto positivo de Men – Faces do Medo, já que ele segura a plateia dessa maneira, até que os segredos comecem a ser revelados.

O terror da masculinidade tóxica

No entanto, Men – Faces do Medo tem uma mensagem por trás da sua trama, que começa muito leve, mas que vai se abrindo com o tempo. O filme, na realidade, é uma grande alegoria sobre a masculinidade tóxica, o machismo e as violências que as mulheres sofrem.

Harper vai para a vila para esquecer um trauma envolvendo o ex-marido dela, James (Paapa Essiedu), ela faz a reserva com seu nome de casada e mesmo depois de explicar para Geoffrey que não está mais casada, ele continua a chamando pelo nome de casada, como se ela, como pessoa, não existe para além de seu casamento. Ao longo do filme, Harper conhece e interage com vários homens – a vila aliais, parece ser habitada majoritariamente por homens – de diversas posições sociais diferentes: Geoffrey, o homem nu, um policial, um padre e até um menino, todos eles a subestimam ou a ofendem, de uma maneira ou de outra.

Mais do que isso, Harper passa por uma série de situações que são praticamente um manual da violência contra a mulher: gaslighting, ameaças, abuso emocional, abuso sexual, slut-shaming e violência física.

Men- Faces do Medo começa de maneira bem misteriosa e até esses pequenos gatilhos passam despercebidos, mas do meio em diante, o filme deixa de ser sútil e a metáfora se torna bem mais clara.

Aspectos técnicos

Men – Faces do Medo é um filme com um elenco pequeno, e com poucos cenários, mas que se dedica especialmente ao seu roteiro. O longa tem uma característica onírica, que faz com que a audiência não esteja completamente certa de que tudo que vemos na tela está de fato acontecendo, mas essa é uma questão que se torna irrelevante ao longo da trama. As metáforas começam bem sutis e a princípio, parece que Men – Faces do Medo vai se tornar um filme hermético demais, mas tudo vai se tornando um pouco mais óbvio ao longo do tempo. É passível de debate se era melhor manter o filme com muitos mistérios sem esclarecer suas motivações reais ou se o corte final é o mais interessante, mas Men – Faces do Medo passa a sua mensagem de maneira compreensível.

Existe essa dicotomia entre a paisagem linda, cheia de verde e onde se imagina que Harper terá tranquilidade, para o que acontece naquele lugar. Men – Faces do Medo também aposta bastante na aflição e no body horror, que dominam os momentos finais do filme, mas nada é gratuito, o que vemos em cena faz muito sentido.

Alguns dos momentos da vida de Harper, especificamente os que dizem respeito a sua relação com James, são narrados em flashbacks, soltos pelo filme, que vão nos esclarecendo sobre o que aconteceu antes da chegada da protagonista na vila, e esses momentos têm uma fotografia clara, bem solar, com excesso de laranja e vermelho, enquanto os que se passam na vila pendem para as cores frias, fazendo com que o telespectador entenda o que acontece no presente e o que aconteceu no passado.

Outro grande triunfo de Men – Faces do Terror são as atuações fortíssimas de Jessie Buckley e Rory Kinnear. Boa parte da ação do filme se dá entre esses dois personagens, e são as performances deles que dão emoção ao longa.

Men – Faces do Medo é uma espécie de terror social, que através de sua história misteriosa e sangrenta busca denunciar o comportamento tóxico masculino, o filme se destaca porque não é totalmente panfletário – não que isso seja necessariamente ruim –  e consegue entregar uma boa história e uma tensão constante, enquanto debate questões importantes, ainda que suas metáforas se tornem um pouco óbvios do meio para o final. Men – Faces do Medo tem sessões a partir do dia 7 de setembro e estreia nos cinemas no dia 8 de setembro.

Título no Brasil: Men – Faces do Medo

Título original: Men

Direção: Alex Garland

Gênero: Terror, Drama

Ano: 2022

Duração: 1h 40min

Elenco: Jessie Buckley, Rory Kinnear, Paapa Essiedu, Gayle Rankin, Sarah Twomey

Distribuidora: Paris Filmes

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